Conselho cobra implantação da Comunidade Terapêutica
Conselho cobra implantação da Comunidade Terapêutica
A presidente do Conselho Tutelar de Londrina, Maria Helena Castardo, afirmou que o atendimento de adolescentes dependentes de drogas só será completo quando estiver em funcionamento o Comunidade Terapêutica. O prédio já foi construído há mais de dois anos, na Gleba Lindóia (zona leste), mas até agora o projeto não foi implantado.
O Comunidade Terapêutica, segundo ela, ofereceria serviço preventivo e também ajudaria o jovem a se livrar das drogas através do trabalho de médicos e psicólogos. Ela explica que hoje as únicas opções para o paciente carente são os serviços prestados por entidades religiosas ou então em outras cidades. Mas como a família não é envolvida no trabalho de recuperação, quando eles voltam para Londrina acabam se envolvendo novamente com as drogas. Não pode haver quebra do vínculo familiar, justifica.
Maria Helena diz que o Conselho Tutelar e o dos Direitos da Criança têm pressionado a prefeitura a dar início ao trabalho, mas até agora não conseguiu resposta. Há um mês, mandamos ofício para marcar audiência com o prefeito e retomar um assunto que já tem mais de um ano. Mas não conseguimos resposta, critica. Os mocós vão continuar. E sem um tratamento adequado, todo o trabalho que a gente faz é perdido. Por isso, precisamos urgentemente do Comunidade Terapêutica.
A secretária de Ação Social, Marisa Goettel, pensa diferente. Para ela, o novo serviço vai trabalhar mais na prevenção do que na cura. Há uma certa ilusão em relação a isso. A comunidade terapêutica não vai poder manter os adolescentes em regime fechado. Mas criou-se um mito em relação a isso, disse.
Marisa Goettel acredita que para a pessoa se livrar da dependência química deveria haver na cidade um serviço que cuidasse especialmente da questão das drogas. Não é no Comunidade em que ocorrerá o internamento. Ele deverá ocorrer na rede da saúde, disse. Ainda segundo a secretária, não há prazo para que os serviços do Comunidade Terapêutica sejam iniciados.
O secretário Agajan Der Bedrossian, da Autarquia Municipal do Serviço de Saúde, lembrou que a questão do atendimento a dependentes de droga, sobretudo de menores, é complexa e envolve diversos setores da administração. Precisamos oferecer uma alternativa ao paciente. Porque ele encontra na droga o que não encontra na família e na escola, por exemplo. Então todo o projeto deste tipo não pode ser simplista como parece, disse.
Segundo o secretário, uma comissão formada por representantes de diversas secretarias - como da Saúde, Educação, Ação Social, entre outras - está estudando um projeto que realize um atendimento amplo, e não restritivo. A referência para este trabalho é a experiência realizada pela Universidade Federal de São Paulo no Projeto Quixote. É um projeto modelo na América Latina, destacou.
Agajan disse ainda que a participação da Saúde neste tipo de trabalho é até secundária em relação às outras áreas. É mais a desintoxicação. Depois dessa fase, o paciente tem que ter uma opção, algo atrativo. Se o mundo dele não mudar, ele volta para as drogas. O secretário acrescenta que este projeto não tem prazo para conclusão e ainda não está definido se o prédio do Comunidade Terapêutica será utilizado nele.
O prefeito de Londrina, Antonio Belinati (sem partido), informou à tarde, que não há recursos para implantar projeto da Comunidade Terapêutica, que custaria de aproximadamente R$ 1 milhão por ano. O momento, segundo a assessoria, é de crise e de contenção, e não de novos compromissos.





