Conselho avalia megaoperação
Lúcio Horta
De Londrina
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Londrina, advogado Newton Moratto, disse ontem ter duas avaliações distintas sobre a megaoperação das polícias Civil e Militar, realizada anteontem na cidade. Primeiro, segundo disse, foi uma demonstração de que a Secretaria de Segurança reconhece que há deficiência no policiamento em Londrina. A segunda avaliação é que, apesar de válida do ponto de vista psicológico, nós entendemos que megaoperações deste tipo não são a melhor maneira de tratar a questão, ponderou.
Para Moratto, seria mais econômico para o governo do Estado a contratação dos profissionais que passaram no último concurso público, realizado já há dois anos, do que ficar trazendo policiais de fora para atuarem esporadicamente em Londrina. Trouxeram gente do Paraná inteiro para ficar aqui só três horas. Se fizerem isso uma vez por ano, não resolve nada; se for uma vez por mês, fica muito caro. Seria melhor contratar os 50 que estamos solicitando, que ficariam aqui permanentemente, disse. Moratto integra o comitê da campanha Londrine Exige o Fim da Violência, que envolve entidades e veículos de comunicação da cidade.
Na quarta-feira, o secretário de Segurança do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, informou que a contratação depende agora da criação do ParanaPrevidência, que tiraria os inativos da folha de pagamento do Estado. Hoje o maior interessado na nomeação sou eu. Ocorre que o governo gasta 73% da folha do orçamento com salários, quando a Lei Camata diz que deve gastar apenas 60%. E antes era pior, declarou o secretário.
O resultado da megaoperação, que teve até a participação do secretário Cândido Martins de Oliveira e do delegado-geral da Polícia Civil, Ricardo Noronha, foi divulgada ontem. Segundo o delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Acácio Azevedo, o arrastão das polícias conseguiu apreender nove facas e um menor portando alguns gramas de maconha. Nenhum marginal foi preso.
A avaliação é positiva. Claro que, quando é feita de imprevisto, há o fator surpresa. Mas com a presença do secretário na cidade, do delegado-geral, isso não foi possível, observou Azevedo. Temos que considerar também que, se alguém que iria praticar um crime deixou de fazê-lo, por causa da operação, tivemos aí um resultado preventivo, completou.
O delegado disse também que não considerou exagerado o tamanho da operação em relação aos resultados. Quanto mais policiais na rua é melhor; isso vai de encontro aos anseios da sociedade. E faz com que o marginal pense duas vezes antes de cometer o crime. Azevedo avaliou também que, com a operação, foi possível mais uma vez comprovar que não é comum a ocorrência de grandes crimes ou tráfico pesado em Londrina.
No total, foram utilizados no trabalho 20 viaturas e 100 policiais, 50 civis e 50 militares (e não 160, como havia informado quarta-feira o delegado-geral, Ricardo Noronha). Eles passaram por todas as regiões da cidade e vistoriaram 120 bares, 12 ônibus urbanos, 90 veículos de passeio. Além disso, 250 pessoas foram abordadas. Acácio Azevedo adiantou que outras operações semelhantes estão sendo preparadas, mas ainda não há data marcada.





