Conselho atende cerca de 30 drogados por mês
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de julho de 1997
Da Redação 
O problema do consumo de produtos tóxicos não é restrito aos menores abandonados - aqueles que vivem nas ruas de Londrina e o Conselho Tutelar (CT) calcula que sejam aproximadamente 100. Em junho, o CT - responsável pela fiscalização dos poderes públicos que atendem os menores e da efetivação do Estatuto da Criança e do Adolescente - atendeu 28 menores consumidores de drogas, encaminhando-os para tratamento médico e psicológico. Em maio, os atendidos foram 27; em abril, 38.
Segundo dados do conselho, a quase totalidade destes menores vive com suas famílias e estava se dopando com cola de sapateiro, tinner, esmalte, gasolina, benzina, solventes de corretivo e outros, considerados drogas leves pelas autoridades policiais. Os menores usam estes produtos por serem mais baratos e de fácil acesso, encontrados muitas vezes dentro da própria casa deles. Aí é que está o perigo, comenta o presidente do CT, Júlio Botelho.
Em relação ao grupo de menores de rua, ele afirma que já usam drogas mais caras e de efeitos mais perigosos. Além da cola, eles têm acesso ao crack, maconha, cocaína e outros produtos tóxicos que causam a dependência, diz Botelho. Quase 100% das crianças e adolescentes que praticam furtos, roubos e outros atos infracionais estava sob efeito de drogas. Eles roubam exatamente para comprar ou trocar os produtos por tóxicos e manter o vício, na maioria das vezes. Este problema está muito grave em Londrina.
O presidente do CT considera positiva a tentativa de impor uma fiscalização mais rigorosa na venda de cola de sapateiro. Não é suficiente, mas já é um começo. É necessário também mais atenção e orientação por parte das famílias; muitos menores estão se drogando dentro de casa, inclusive com psicotrópicos e outros remédios fortes, os de tarja vermelha e preta, diz.
Ele lembra que o índice de recuperação é maior entre as crianças com até 11 anos e menor entre os adolescentes: Sobre as crianças, os pais ainda têm autoridade, além de mais carinho e envolvimento. Já os adolescentes são mais resistentes e apresentam um grande número de reincidência. Acontece ainda de família querer se livrar do problema se livrando do filho. É por causa das drogas que muitos adolescentes são abandonados ou fogem de casa e vão para as ruas. O tratamento aos menores encaminhados pelo CT é realizado na rede pública de saúde municipal e estadual, de forma gratuita.
O juiz da Vara da Infância e do Adolescente de Londrina, Dimas Ortêncio de Melo, também considera bem-vinda esta proposta de maior rigor na fiscalização na venda de cola de sapateiro. Este é um dos caminhos. Atualmente existe muito abuso no uso de drogas e facilidade na compra delas, aí incluída a cola. O caminho é dificultar ao máximo o acesso dos menores às drogas.
Nos primeiros seis meses deste ano, a Vara abriu 360 processos para investigar possíveis delitos praticados por menores. Outros 2.200 processos, iniciados nos últimos anos, prosseguem em tramitação; o que significa 32% de todos os processos em andamento no Fórum. Podemos afirmar com certeza que 98% dos menores acusados de infrações estavam sob efeitos de drogas. Todos eles usam ou já usaram a cola de sapateiro, antes de passarem para drogas mais fortes, afirma o juiz.
Na opinião dele, é difícil combater o uso da cola porque ela é um produto industrial legalizado, e que normalmente chega aos menores depois de comprada por um adulto repassador. Por isso, é interessante este cadastramento dos vendedores e compradores do produto. É preciso saber qual o objetivo da compra,. A Vigilância Sanitária deve ser rigorosa. É importante dificultar a comercialização do produto; pode ser o começo de uma solução a longo prazo.
(Osmani Costa)


