O Hopistal Londrina, de Cambé (13 km a oeste de Londrina), que foi desativado em novembro de 1997, pode ser reaberto dentro de pouco tempo. Basta, para isso, que o governo do Estado tome uma atitude e formalize a proposta de compra do prédio, pertencente ao grupo Golden Cross. A opinião é de Raquel Basseto, presidente do Conselho Comunitário Feminino de Londrina, que adquiriu no início de abril três lotes de equipamentos, materiais e mobiliário do hospital através de leilão, na tentativa de utilizá-los como lastro para uma eventual parceria, que viabilizaria a sua reabertura.
Raquel acredita que o Estado esteja criando uma expectativa de complexidade tão grande que existe o risco de, em breve, ninguém mais querer assumir a reabertura do hospital. Ela afirma também que a colocação feita pelo secretário de Saúde, Armando Raggio, anteontem à Folha, de que um hospital pode custar até três vezes o valor pelo qual está avaliado, para ser mantido, é fora da realidade. ‘‘Os valores estão sendo superestimados’’, acredita.
Segundo Marcos de Paula, gerente comercial da Mackenzie Rio, empresa de consultoria e comercialização de imóveis comerciais, o hospital valia R$ 6 milhões na época do fechamento. Hoje, informa o consultor, teria que ser feita uma nova avaliação.
Raquel Basseto defende que o governo faça um levantamento de mercado. Ela acha, porém, que com R$ 3 milhões o prédio poderia ser negociado. Raquel diz que até concorda com o secretário quando ele afirma que a contribuição do conselho, ao adquirir os equipamentos, tem um valor mais social do que material.
Ela afirma, porém, que com tudo que foi adquirido (cerca de 2 mil itens) daria tranquilamente para montar um hospital. O conselho adquiriu todo o centro cirúrgico, uma UTI completa, equipamentos para fisioterapia, cozinha industrial, lavanderia e todo o mobiliário. O hospital nunca possuiu, segundo ela, equipamentos de alta tecnologia.
Na entrevista concedida à Folha há dois dias, Armando Raggio afirmou que vai agendar uma reunião dentro de 30 dias com lideranças para começar a discutir uma solução para o Hospital Londrina. Na opinião de Raquel Basseto, é preciso que esta reunião já defina um cronograma para a reabertura. A partir disso, o conselho pretende fazer a entrega dos equipamentos ao governo, até para que ele assuma as despesas com a manutenção dos mesmos. ‘‘Se dentro de 30 dias nada for definido, vamos começar a dar um destino para estes equipamentos, seja vendendo ou doando’’, disse Raquel.
Na opinião do prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia (PTB), os segmentos envolvidos com a área de saúde, apesar das constantes reuniões, ainda não conseguiram chegar a um ponto comum, de consenso sobre a prioridade das ações ligadas ao assunto. ‘‘Cada hospital luta hoje pela sua sobrevivência, e nestas ocasiões, cada um defende os seus interesses’’.
A atitude do Conselho Comunitário de Londrina, que adquiriu equipamentos do Hospital Londrina na tentativa de agilizar a sua reabertura, é considerada por José do Carmo como um ‘‘passo concreto’’. ‘‘Elas foram para a prática, prestaram a contribuição que era possível’’, afirmou, ressaltando que, além de reabrir, há que se garantir o seu funcionamento. Segundo o prefeito, o custo de manutenção do hospital é de R$ 250 mil por mês.Arquivo FolhaConselho comunitárioRaquel Basseto: eventual parceria viabilizaria a reaberturaSilvana Leão

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