O Conselho Municipal de Assistência Social de Londrina (CMAS) divulgou um comunicado à imprensa, alertando a população sobre o uso indevido do nome de instituições de caridade por pessoas não autorizadas. De acordo com o comunicado, o Conselho recebe constantemente denúncias de ação de pessoas que ficam em ruas e esquinas movimentadas arrecadando dinheiro, utilizando cópias de falsos documentos, fotografias de deficientes e receitas médicas. Muitas se dizem representantes de entidades assistenciais conceituadas e, em vários casos, chegam mesmo a ‘‘criar’’ suas próprias instituições.
O Conselho esclarece a população de que qualquer campanha promovida pelas entidades assistenciais em vias públicas requer autorização expressa da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Em caso de desconfiança, a CMTU deve ser comunicada e os fiscais podem exigir identificação das pessoas suspeitas.
Os lugares mais visados são o Calçadão do centro, os cruzamentos da Avenida JK com a Rua Pernambuco e Rua Souza Naves, alguns trechos da Rua João Cândido e o Terminal Urbano de Transporte Coletivo. Nesse último, a pessoa embarca nos ônibus, pede licença ao motorista e se dirige aos passageiros contando histórias tristes. Depois de arrecadado o dinheiro, desembarca. Segundo alguns motoristas, conforme a história que a pessoa conta, consegue doações de até R$ 30.
A assessoria de imprensa da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) informou que os motoristas e cobradores não podem fazer triagem de quem entra nos ônibus e nem coibir os passageiros sobre nenhuma manifestação, a menos que estejam incomodando.
Algumas entidades assistenciais, como o Lar Anália Franco e a Casa do Caminho, acreditam que o prejuízo que sofrem com a má-fé é grande, mas nunca conseguiram nenhum flagrante. O Conselho recomenda para quem quiser ter a garantia de que sua doação realmente vai chegar ao destino, dirigir-se pessoalmente à sede ou telefonar solicitando visita de funcionário credenciado.
A reportagem da Folha encontrou, no Calçadão, uma voluntária da Sociedade Assistencial para Cegos Nossa Senhora da Guia, sediada no bairro Itaim Paulista, em São Paulo. A voluntária, que dispõe de uma credencial, pede dinheiro às pessoas e distribui um papel com informações sobre a entidade de cegos.
Em São Paulo, a presidente da instituição, Elizete Passos de Almeida, disse, por telefone, que já orientou seus voluntários a não irem para outros Estados, justamente por receber muitas reclamações. Os voluntários, na verdade, ficam com 30% do total que arrecadam. Questionada sobre a honestidade dos voluntários, Elizete reconheceu que é difícil controlar, pois cada um define locais diferentes para trabalhar. Conforme declarações de Elizete, ex-voluntários podem reter os blocos de papel e continuar a falar em nome da sociedade dos cegos.
Quem presenciar situações irregulares pode contatar o Conselho Municipal de Assistência Social, pelo telefone 323-1043, ou a CMTU, no número 379-7900.

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