Conselho acompanha obra de cadeia
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Telma Elorza 
O juiz da Vara de Execuções Penais, Roberto Ferreira do Valle, visitou ontem as obras da Cadeia Pública de Londrina, que está sendo construída na zona sul da cidade. Acompanhado por Jorge Zeve Coimbra Neto e Newton Moratto, presidente e vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Londrina, o juiz foi conferir no local o ritmo que está sendo empregado nas obras, onde apenas seis - dos 100 originais - operários da construtora Sial Engenharia, de Cascavel, estão trabalhando.
A visita teve como objetivo, segundo o presidente do Conselho de Segurança, municiar o promotor de Justiça e Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, com informações para o processo que ele está preparando contra o Estado. Representamos uma população ordeira e organizada, e como tal temos o dever de informá-lo e fornecer documentos sobre a real situação da Cadeia Pública, afirmou Jorge Coimbra.
Segundo Roberto do Valle, sua última visita ao local foi em novembro. Nestes seis meses, pouca coisa mudou. Tiraram um pouco da caixaria e aumentaram algumas pilastras, mas só, observou. Para ele, nem com 100 operários seria possível terminar as obras até o final do ano. E do jeito que vamos, com apenas quatro homens trabalhando, um apontando e outro mandando, isto aqui não sai nunca, afirmou.
A cadeia estava prometida para ser concluída até agosto deste ano. Porém, a obra está paralisada porque o governo do Estado não vem fazendo os repasses parciais das verbas. O orçamento do Estado de 1998 previa o repasse de R$ 2,8 milhões. O governo federal teria que repassar mais R$ 400 mil. Até o momento, porém, foram repassados apenas R$ 130 mil. Como o Estado quer que a construtora trabalhe e cumpra os prazos se não paga o que deve?, questionou Coimbra.
Para o juiz, mesmo se a cadeia ficasse pronta hoje, ela já estaria obsoleta. A capacidade desta cadeia é de 320 detentos, incluindo ala feminina e a prisão especial. Só que já temos mais de 400 presos. Mesmo que as alas feminina e especial não sejam utilizadas em suas funções originais, a cidade vai ter que continuar usando os distritos com área de detenção, explicou Valle.
Até o momento, foram levantadas somente as fundações, o que corresponde entre 8 e 12% da obra, prevista para ter 3,8 mil metros de área construída, incluindo os 480 metros de muro com altura de 4,5 metros. Segundo o mestre de obras Antônio Cavalari, seria preciso 110 operários trabalhando em ritmo acelerado para que o Cadeia ficasse pronta em março do ano que vem. Em 40 anos de profissão, eu nunca vi uma obra sendo tocada deste jeito, disse Cavalari.
Parada, a obra tem servido para ladrões fazerem a festa. Já foram furtados do local duas serras circular e uma policorte, além de fogão, geladeira e utensílios que estavam guardados em um dos alojamentos. Levaram até a roupa que um operário deixou aqui, disse o apontador da obra, Walter Nóbrega Barbosa. Segundo ele, os furtos são constantes.
Em obra parada é mais fácil ocorrerem furtos, principalmente numa como esta, aberta e rodeada de mato, afirmou. Por enquanto, os ladrões estão atrás de apenas de equipamentos porém a possibilidade de começar a sumir material de construção não está descartada. Outro dia, arrastaram ferros lá para o mato. Só não levaram porque a gente foi atrás, achou e trouxe de volta, contou o apontador.


