Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente de Foz do Iguaçu tentou ontem retirar menores brasileiras que estariam se prostituindo em uma boate argentina. Depois da reportagem publicada ontem pela Folha, que mostrou como funciona o tráfico de menores para países vizinhos, representantes do Conselho e do consulado brasileiro na Argentina entraram em contato com autoridades argentinas pedindo autorização para visitar o Clube 31, em Puerto Iguazú, cidade separada do Brasil apenas pela Ponte Tancredo Neves. No local, cerca de 15 meninas estariam trabalhando como prostitutas, todas com documentos falsos.
Ao chegar na boate, os policiais que faziam a escolta do grupo encontraram apenas mulheres maiores de idade. Uma delas, a brasileira Sonia Gonçalves, 33 anos, que trabalha no local, disse que as menores não foram encaminhadas para aquela casa, mas que estariam vivendo em Wanda, cidade argentina distante 40 quilômetros da fronteira.
A polícia suspeita que as menores teriam passado pela boate, pois os proprietários ficaram nervosos com a presença da comitiva. A conselheira tutelar Fátima Rejane Dalmagro, que acompanhou as buscas, disse que vai encaminhar uma carta à justiça argentina pedindo autorização para ir até Wanda. ‘‘Com certeza encontraremos não somente menores, mas muitas mulheres brasileiras lá. A região é rica e atrai toda a espécie de aventureiros’’, disse Fátima.
Wanda fica na região de Misiones e é tida como um dos pólos econômicos da Argentina, onde são produzidos papel e celulose, erva-mate e pedras preciosas.
As menores são enviadas aos países vizinhos por aliciadores que ‘‘agenciam’’ garotas brasileiras e falsificam documentos para levá-las ao outro lado da fronteira. A denúncia de que havia 15 meninas no local vistoriado foi feita pela menor E.F.C, de 14 anos, que disse ter sido convidada a trabalhar naquela boate pelo mesmo aliciador que levou as garotas a Puerto Iguazú.
Segundo a conselheira, as buscas trouxeram ótimos resultados, já que as mulheres ainda indicaram outros três pontos de prostitição na cidade. ‘‘Nestes locais, nenhuma menor foi encontrada, mas o Comissário de Polícia argentino ficou surpreso com a quantidade de clubes e boates ilegais’’, contou Fátima.Em visita a uma boate em Puerto Iguazú comitiva descobriu que menores estão sendo enviadas para outras cidades argentinas
Ney de SouzaLOCAL SUSPEITOComitiva tinha informação que 15 menores de idade estariam se prostituindo no Clube 31, em Puerto Iguazú

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