O presidente do Conselho Tutelar de Londrina - Zona Sul, Luis Bárbara, procurou a FOLHA com o objetivo de esclarecer à população o real papel do Conselho e quais os mecanismos de atendimento do órgão. A busca pela divulgação desses procedimentos surgiu depois que a FOLHA publicou, no último domingo, uma matéria relatando o caso de uma conselheira que deixou de atender um menino de 10 anos. O caso aconteceu durante a operação Ação Integrada da Polícia Militar, na noite da última sexta-feira.
Durante uma blitz em um bar localizado no Jardim São Lourenço, a equipe da FOLHA presenciou o momento em que uma conselheira deixou de atender um menino de apenas 10 anos, que procurava alguém do órgão a pedido de sua mãe, que o aguardava em casa. Além de sair de sua casa depois das 22 horas, o menino estava descalço e tinha ido até um dos veículos do Conselho Tutelar, com a ajuda da imprensa, alegando que a mãe discutia com o irmão de 14 anos, possível usuário de drogas. Na ocasião, a conselheira nem chegou a sair do carro e disse que se tratava de um caso para a polícia e não para o Conselho.
Bárbara explicou que o problema não era com a criança de 10 anos e sim do adolescente de 14, que necessitava de atendimento. ''Nesses casos de contenção não é o Conselho que faz o atendimento, mas sim a polícia e ela orientou nesse sentido. A criança de 10 anos estava na frente da casa dela e estava sob a tutela da mãe que estava ali próximo'', disse.
Segundo ele, quando o comportamento do adolescente envolve uso de drogas, como a própria mãe deixou a entender, o Conselho já deveria ter sido comunicado anteriormente. ''A mãe só fez a denúncia porque ali se encontrava um grande aparato e, quando ela buscou ajuda, foi para conter o adolescente. Naquele momento, não houve entendimento de que seria um caso para atendimento imediato.''
Bárbara salientou também que, em virtude do que aconteceu, o Conselho vai reavaliar se continuará participando dessas abordagens. ''É papel do Conselho Tutelar estar acompanhando esses comboios? A autuação e o encaminhamento ao Ministério Público as comissárias de menores vão estar fazendo. Na realidade, o papel do Conselho seria no sentido de não deixar que os policiais agredissem crianças e adolescentes nessas abordagens. Esse é um problema do Conselho Tutelar, a fiscalização e o encaminhamento dessas questões, principalmente em situação de risco''. Segundo Bárbara, qualquer ato infracional cometido por maiores de 12 anos deve ser comunicado à polícia. ''Se houver necessidade posterior, eles entram em contato conosco e nós vamos dar o devido encaminhamento'', finalizou.

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