Lúcio Horta
De Londrina
A violência aplicada nos assaltos ocorridos na cidade tem preocupado o Conselho Comunitário de Segurança de Londrina. ‘‘Assusta e muito. E Londrina está abandonada. Não estão dando a atenção necessária à terceira cidade do Sul do País’’, critica o presidente eleito da entidade, Newton Carlos Morato. ‘‘O fator social contribui. Mas a polícia, Civil e Militar, está desaparelhada, falta pessoal nas ruas, e isso é um incentivo até para que o marginal cometa o delito.’’
Newton Morato - atual vice-presidente do Conselho - foi escolhido para a presidência em eleição no último dia 30 de junho, como candidato único, e assume o novo cargo em agosto. Todos os conselheiros, composto por representantes de mais de 130 entidades, puderam votar.
Ele pretende dar continuidade ao trabalho do atual presidente, Jorge Coimbra. Além da melhoria na segurança com o aparelhamento da polícia e contratação de mais pessoal, o conselho pretende insistir na conclusão da Cadeia Pública; no envolvimento da comunidade na escolha nos novos comandos da polícia; e na criação na cidade da polícia científica.
Para o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, o aumento na violência está ligado ao agravamento dos problemas sociais no País. ‘‘É preciso combater a causa, que são os problemas sociais. Senão a violência vai crescer cada vez mais.’’ Sobre o papel da polícia para evitar os crimes, Fernandes afirma que o trabalho é intenso. ‘‘Mas milagre a gente não pode fazer. Não dá para estar em todos os lugares ao mesmo tempo.’’
O delegado lembra que o trabalho da Polícia Civil não é de prevenção. Mas nas investigações, afirma, a identificação dos marginais que estão provocando os roubos na cidade é prioridade para a polícia. ‘‘Alguns já estão sendo presos. Mas muitos estão agindo com capacete e as vítimas não os reconhecem.’’
O delegado admite também que o número de policiais que está na rua - aproximadamente 15 - não é suficiente. Ele acredita que a chegada de mais 40 investigadores que passaram em concurso da Polícia Civil irá melhorar o trabalho. Mas não tem expectativa de quando irão assumir os cargos.
Fernandes não permitiu que a reportagem da Folha tivesse acesso aos boletins de ocorrência arquivados na 10ª SDP, para um levantamento. Adiantou apenas que, de janeiro a maio de 1999, foram registrados 105 roubos em estabelecimentos comerciais e 19 em residências. Os números são diferentes dos da Polícia Militar, que só em maio registrou 117 roubos. A diferença, ele avalia, pode ser causada porque nem todos que chamam a PM registram queixa na Civil.
Sobre a negativa em permitir o acesso aos B.O.s, o delegado alegou que eles já são disponibilizados para a imprensa diariamente. ‘‘E a gente não pode permitir que os boletins sejam vasculhados.’’ Ele prometeu os números para a semana que vem, depois que o trabalho do setor de estatística estiver concluído. Na Polícia Militar, os dados comparativos de 98 e 99 também serão divulgados na próxima semana.

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