James Alberti
A presidente do Conselho Tutelar de Itaperuçu, Doraline Lurdes Rosa Benato, e a conselheira Rosalina Peixoto Ribeiro negaram ontem que tenham intermediado a venda da filha da dona de casa Ledi do Rocio de Castro, 33 anos. As duas disseram que tentaram ajudar Ledi, que afirmava não poder sustentar a criança, e que não sabiam o procedimento correto para promover a adoção. ‘‘A gente quis ajudar e sobrou para nós’’, disse Doraline.
Integrantes da Pastoral da Criança da Igreja Católica e respeitadas na cidade, localizada na Região Metropolitana de Curitiba, as conselheiras disseram que foi o primeiro caso de adoção encaminhado pelo Conselho. Admitindo ignorância sobre as leis de adoção, as duas criticaram o promotor de Rio Branco do Sul, Salvari José Dias Mâncio, que teria sido procurado por elas antes da entrega da criança e não teria informado a forma de promover a adoção.
A criança nasceu no dia 21 de abril e foi retirada do hospital três dias depois pela comerciante Sueli de Cássia Arcêncio, de Curitiba. Conforme Doraline, Sueli não comprou a criança. A presidente do Conselho Tutelar, que conheceu a comerciante por intermédio de uma vizinha, disse que Sueli teria dado dinheiro e cestas básicas apenas para manter Ledi até a recuperação após o parto, feito por cesariana.
Ontem, Ledi reafirmou à Folha que foi coagida a entregar a filha porque estava em situação difícil e que recebeu dinheiro e cestas básicas. ‘‘Estava grávida e desempregada’’, disse. O pai da criança não mora com Ledi e havia se recusado a ajudar no sustento do bebê. A dona de casa afirma que, ao contrário do que dizem as conselheiras, queria ficar com a menina.
Para Doralina, Ledi se arrependeu de ter entregue a criança e usou a história da venda para conseguir a filha de volta. ‘‘Ela poderia ter procurado a gente, como procurou antes de dar o beb꒒, afirmou. A presidente do Conselho Tutelar garantiu ter procurado Ledi inúmeras vezes para tentar convencer a mãe a ficar com a menina. ‘‘Ela disse que não queria a criança, que o bebê não tinha sido gerado com amor.’’
Doralina negou que a menina tenha sido devolvida porque as conselheiras foram ameaçadas pela mãe, como teria afirmado Ledi ao delegado do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), Harry Herbert. Segundo ela, a criança foi entregue, 41 dias depois da adoção ilegal, no Fórum de Rio Branco do Sul porque o promotor teria sido procurado também para que a adoção fosse feita.
Até ontem, a menina não havia sido registrada. Os documentos para encaminhar o registro ainda estavam nas mãos da presidente do Conselho Tutelar, que os recebeu da mãe adotiva. Ledi disse que irá fazer o registro nesta semana, embora não saiba o dia exato.
A comerciante Sueli de Cássia foi procurado ontem pela Folha, mas não foi encontrada.

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