James Alberti
Duas conselheiras do Conselho Tutelar de Itaperuçu, Região Metropolitana de Curitiba, são acusadas de intermediar a venda de uma menina para um casal de descendência chinesa. A criança nasceu no dia 21 de abril deste ano e foi retirada da mãe, a dona de casa Ledi do Rocio de Castro, 33 anos, ainda no hospital. O nome das conselheiras não foi divulgado pela polícia.
O caso foi registrado no Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) há duas semanas, mas era mantido em sigilo. As conselheiras teriam forçado a mãe a entregar o bebê, ameaçando processá-la caso se recusasse. Em troca do bebê, elas teriam pago R$ 400,00 e dado R$ 100,00 e cestas básicas durante dois meses. O pagamento seria feito até o sexto mês, mas a criança foi entregue antes.
Segundo o delegado do Sicride, Harry Herbert, as conselheiras teriam devolvido a criança depois que a mãe procurou uma advogada de Itaperuçu e ameaçou denunciar o crime ao promotor de Justiça de Rio Branco do Sul. A devolução da menina, disse o delegado, foi feita no dia 9 deste mês no corredor do Fórum de Rio Branco do Sul. ‘‘Elas queriam dar um ar de legalidade à entrega’’, disse Herbert.
O delegado afirmou que irá indiciar as conselheiras e o casal que teria ficado com a criança por venda de bebê. Ele ainda estuda se a mãe também será processada, já que há a possibilidade dela ter sido induzida. ‘‘A mãe é analfabeta. Acho que foi mais uma vítima’’, disse. ‘‘As conselheiras retiraram a criança quase à força.’’
Outro caso- Este era um dos dois casos de venda de criança que estavam sendo mantidos em segredo pelo Sicride. O outro ainda não foi revelado. O Sicride investiga também a venda de um casal de gêmeos de Campo Largo, nascidos em novembro do ano passado. Os bebês são filhos da dona de casa Marisa de Souza Taborda da Maia, 35 anos. A mãe teria recebido material de construção e a promessa de cestas básicas por um ano para entregar as crianças. A promessa não teria sido cumprida e ela denunciou o caso. Marisa nega a venda, embora tenha admitido que recebeu material de construção e existam notas fiscais comprovando a entrega.
A empregada doméstica Sirlene Aparecida Pinto, que trabalhava no apartamento 31 do Palace Batel, no bairro Batel, em Curitiba, é procurada pela polícia como a pessoa que intermediou a venda dos gêmeos. Para Herbert, ela pode revelar à polícia com quem ficaram as crianças. Desde que o caso foi publicado pela Folha, Sirlene está desaparecida.

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