Conseguir leito através
de central é complicado
Sertanópolis enfrenta também problemas com vagas em outras cidades. O ginecologista Fabian da Caz Laval disse que a Central de Vagas, em Londrina, não tem autonomia sobre as vagas nos hospitais. ‘‘Ela nos informa onde há leitos. Então, nós entramos em contato e, dependendo do caso, há profissionais que se negam a atender porque não querem se responsabilizar por cirurgias complicadas’’, argumentou.
Entre os casos, cita o de um paciente idoso de Assaí – onde também atende –, que sofreu fratura no fêmur. A cirurgia se tornava mais complicada porque o homem era hipertenso. ‘‘Conseguimos vaga em cidade da região de Ponta Grossa. Porém, o médico disse que o filé mignon era enviado aos grandes centros e para ele ficava a carcaça. Se recusou em aceitar o paciente. Por sorte, conseguimos vaga em Curitiba.’’
Fabian argumentou que a burocracia em utilizar a Central de Leitos muitas vezes atrapalha o atendimento de uma emergência ou de partos. Com a falta de vaga ou demora em consegui-la, pode levar o paciente à morte, dependendo do caso. ‘‘Em Sertanópolis temos sido bem criteriosos na seleção dos pacientes, ficando muitas vezes com internação de três dias em local improvisado. Mas há casos que não dá para segurar’’, salientou.
Fabian disse ainda que o problema não está na Regional de Saúde, nem na Central de Leitos, mas na administração e setor financeiro dos hospitais, principalmente os maiores. Como o Sistema Único de Saúde (SUS) paga pouco para os procedimentos médicos, qualquer procedimento de outro município é considerado prejuízo para quem atender. ‘‘Há necessidade do SUS ser remodelado, rever cálculos, para que este tipo de problema seja contornado o mais rápido possível.’’ (A.S.)

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