Conscientizar para evitar a destruição
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Alunos conscientes = livros preservados. A equação é apontada por especialistas como a saída para um mal que traz prejuízos aos cofres públicos e para a cidadania: a destruição de material didático. Não há estatísticas sobre o número de exemplares perdidos a cada ano. No entanto, a direção do maior colégio estadual da cidade estima que 35% sejam perdidos anualmente, tanto pela má conservação quanto pelo estrago natural e a não devolução.
De acordo com o diretor-geral do Colégio Estadual Vicente Rijo, José Donizetti Brandino de Oliveira, este número não é oficial, mas era maior anos atrás. Cerca de 60% dos livros didáticos eram perdidos na instituição. A saída para reduzir o prejuízo foi, segundo ele, ''um trabalho de formiguinha.'' ''A gente vai atrás, telefona para os pais, cobra do aluno. Temos um lugar adequado para guardá-los de um ano para outro. Então a perda é menor'', avalia. O índice é considerado alto pelo próprio diretor do Vicente Rijo, que fica na Área Central de Londrina.
Esta perda não é ainda maior porque os livros didáticos são trocados a cada três anos. Esta substituição, segundo a assistente do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, Marlene de Mello, é positiva. ''A renovação garante a oportunidade de que sejam feitas atualizações nos livros em períodos mais curtos'', afirma.
No País, em média 13% dos livros didáticos não são devolvidos pelos alunos da rede pública ou precisam ser aposentados em função do mau estado de conservação a cada fim de ano letivo. O cálculo é do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que coordena o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Cada publicação tem durabilidade prevista de três anos, mas cerca de 10% do orçamento anual do programa é gasto com a reposição de exemplares.
Outra vantagem apontada por Marlene é a destinação dos livros que não são mais utilizados. Parte dos exemplares vai para as bibibliotecas das escola e para o NRE e outra é doada para os próprios estudantes, organizações não-governamentais e entidades filantrópicas. ''Muitas vezes, esses serão os únicos livros que eles terão em casa'', diz.
Os exemplares são esperados com ansiedade pelos alunos no início de cada ano letivo. No Vicente Rijo, eles deverão estar nas mãos dos estudantes nos próximos dias. E a primeira providência de Edson Thiago da Silva, 13 anos, que está na oitava série do ensino fundamental, será encapá-los. Ele ainda guarda as obras em lugar adequado, o que garante a conservação. ''Só acontece de fazer orelha em algumas páginas'', conta.
Christopher Raphael Timóteo, 16, e Ludmila Karoline Cabeças, 13, ambos da oitava série, também garantem que são exemplos quando o assunto é conservação do material didático. O garoto põe a mão na massa para encapar os livros, que sempre encontrou em bom estado. ''Nunca peguei um rabiscado.''
Para Ludmila, a maior preocupação é deixar os exemplares longe da irmã de um ano. Ela comenta que é comum alguns colegas não terem consciência e não cuidarem devidamente do material. ''Devia ter alguma punição para quem devolve o livro todo estourado'', sugere.
A solução encontrada pela direção é buscar o diálogo com os pais para que o livro destruído seja reposto. No entanto, independentemente da situação, o estudante tem direito a receber o material do ano letivo seguinte.
A assistente do NRE ressalta que é importante a participação tanto da escola quanto da família no processo de conscientização dos estudantes. ''Ambos têm que ser responsáveis. O aluno precisa saber que o livro didático é um patrimônio público, que não é dele e que não é gratuito. Todos pagamos por eles através dos impostos'', assevera.(Com Agência Brasil)


