Conscientização tem aumentado
A professora doutora em filosofia do direito Silvia Pimentel luta, há mais de 20 anos, pelos direitos das mulheres. Membro da comissão gestora do Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem) e coordenadora nacional do Cladem-Brasil, ela vêm participando há anos de inúmeros seminários e conferências no Brasil e Exterior. Autora de vários livros e estudos abordando o assunto, ela acredita que - apesar da violência contra a mulher ter aumentado nas últimas décadas - a conscientização desta realidade também está se ampliando.
Seja por parte de pessoas isoladas ou de grupos e instituições, estão se tomando providências e atitudes firmes de enfrentamento e superação do problema. A criação de Delegacias da Mulher, na década passada, vem contribuindo para a visibilidade deste tipo de violência que, até então, era coberto por um véu, o véu do relacionamento familiar. Hoje, existem mais pessoas - homens e mulheres - que já conseguem ver e, principalmente, denunciar este tipo de crime, afirma.
Porém, para ela, a coragem de denunciar a violência não basta. Segundo Sílvia, é preciso também que profissionais da área policial - de todas as delegacias - estejam preparados para acudir, com muita atenção e respeito, as mulheres e crianças vítimas da violência doméstica, assim como também é importante que profissionais da saúde sejam sensíveis e preparados para lidar com esta problemática. É importante que todos os cidadãos, cada um à sua maneira e a partir da sua inserção profissional e política, contribua para a prevenção e a erradicação da violência doméstica, explica.
Segundo Sílvia Pimental, é preciso deixar claro que a violência doméstica não está restrita à violência física. A Convenção Interamericana Para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, de julho de 1994, entende a violência abrange a física, a sexual e a psicológica ou emocional. Esta pode ser, muitas vezes, mais cruel do que a violência física. Ela não machuca, não deixa marcas no corpo, mas pode destruir. E os agentes de saúde também podem ajudar a detectar este tipo de violência. Às vezes, simplesmente, ouvindo com atenção.
O trabalho de prevenção, segundo ela, é possível e necessário. A violência contra a mulher é hoje considerada uma violência de gênero, um fenômeno cultural. Assim sendo, o problema pode e deve ser superado através da educação, no sentido de construir uma cultura de direitos humanos e de respeito, a todos os homens e mulheres. (T.E)





