Conscientização para reduzir fila
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segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - A fila de espera por transplante de córnea no Banco de Olhos do Hospital Universitário (HU) de Londrina é de 10 pacientes. Eles têm que aguardar de um a dois meses pela cirurgia. Em média, são realizados 30 transplantes por mês. A fila foi bem maior na época da inauguração, em abril de 2011, quando 159 pacientes levavam até seis meses para receber o tecido. O que preocupa, porém, é que a fila tinha sido zerada no final do ano passado.
De acordo com a médica Ana Paula Oguido, diretora técnica do Banco de Olhos, o trabalho de conscientização da sociedade tem que ser constante. "O atendimento da demanda depende de campanhas em um trabalho contínuo, se não a fila tende a aumentar", explicou. Ao contrário do rim, por exemplo, a córnea só é retirada de doadores mortos, o que depende do consentimento dos familiares. "É importante que a pessoa manifeste a vontade de ser doadora, desta forma a decisão é respeitada após a morte pelos parentes", orientou.
Uma pesquisa divulgada pela Aliança Brasileira pela Doação de Tecidos e Órgãos (Adote) apontou que o brasileiro tem pré-disposição a ser doador, com 64% de aceitação, porém alguns fatores podem interferir. A coordenadora da Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Copott) de Londrina, Ogle Bacchi, explicou que a aceitação pela doação de órgãos depende de vários fatores, inclusive do tratamento que o paciente recebe no hospital. "Se o doador não receber um atendimento digno, é compreensível que a família recuse a doação. O processo é complexo e envolve toda a rede de Saúde", expôs.
Ogle ressaltou o entrosamento de médicos, enfermeiros, bioquímicos e motoristas para o sucesso do transplante. Outro item que pesa na decisão são os mitos. "Nas primeiras décadas de doação de órgãos, faltava uma lei para regulamentar, mas hoje não há mais práticas como venda de órgãos, pessoas que furam a fila. Estas lendas prejudicam o aumento de doadores", revelou.
Processo
A coordenadora detalhou o processo, desde a captação até o transplante. Segundo ela, a córnea pode ser captada até seis horas após a morte do paciente. Em seguida, o tecido é transportado para os Bancos de Olhos, onde passa por um processo de desinfecção em uma câmara de biossegurança. De lá, elas são imersas em um líquido de preservação e depositadas em duas geladeiras, uma para quarentena e outra para liberação. A córnea pode ser conservada até 14 dias. "É um produto de mais fácil captação e maior prazo de conservação, o que torna a fila menor que a de rim, por exemplo". Como a córnea é um tecido avascular, também não depende de compatibilidade sanguínea.
No Paraná, são cinco unidades de captação de córneas: Londrina, Maringá, Cascavel e duas em Curitiba. De janeiro a julho deste ano foram 1.256 córneas doadas. Do total, 30% tiveram de ser descartadas por não apresentarem boas condições, ultrapassarem o prazo de preservação ou sofreram avarias durante procedimentos. "Hoje, o Paraná tem um sistema de notificação, triagem e transporte bem avançado, inclusive com repasses de órgãos e tecidos para outros estados", elogiou Ogle.
Do total de 1 milhão de óbitos registrados em 2012 no Brasil, apenas 0,75% eram potenciais doadores de órgãos e tecidos. Das mortes que ocorrem dentro de hospitais, o aproveitamento é de 1% a 4%. Em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), o índice sobe para 10% a 15%. "Os recursos são poucos, então não podemos perder oportunidades".
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