Conscientização no Dia Nacional do Cego
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Com uma população de mais de 204,4 milhões de habitantes, o Brasil tem hoje 2,9% de deficientes visuais, o que corresponde a cerca de 6 milhões de pessoas cegas ou com grande dificuldade para enxergar, segundo dados do Censo Demográfico 2010, do IBGE. No Paraná, entre os mais de 11,2 milhões de habitantes que vivem no Estado, 2,9% tem limitações na visão, índice que equivale a mais de 321 mil pessoas. No Dia Nacional do Cego, comemorado nesta terça-feira (13), o Centro de Apoio Pedagógico para Deficientes Físicos (CAP) realizou no Calçadão em Londrina uma ação para divulgar as atividades da entidade, além de informar e conscientizar a população sobre os recursos disponíveis para as pessoas com deficiência visual e para professores que trabalham com alunos nessa condição.
O CAP é um programa do Ministério da Educação e Cultura subsidiado pela Secretaria Estadual de Educação do Paraná e que oferece formação a professores do ensino regular da rede estadual que têm em sala de aula alunos deficientes visuais, além de fornecer aos estudantes materiais didáticos transcritos para o sistema braile, tudo gratuitamente. A unidade do CAP em Londrina atende outros 91 municípios da região. "A deficiência visual é uma limitação, mas bem orientada e instruída, pode se transformar em uma nova etapa de vida", declarou o coordenador do CAP em Londrina, Moacir Luciano da Silva. "Todos nós somos deficientes em potencial e temos que saber lidar com essa situação", acrescentou.
A dona de casa Mônica Pegoraro de Moraes, de 52 anos, perdeu completamente a visão ainda criança após um acidente que afetou de modo irreversível o nervo ótico. Com o apoio da família, o que poderia ter se tornado um problema na vida dela tornou-se apenas um desafio a ser superado. Mesmo sem enxergar, Mônica seguiu com os estudos, concluiu o ensino médio e mudou-se para São Paulo, onde fez um curso técnico em Fisioterapia. Ela, que já gostava de nadar, dedicou-se ainda mais ao esporte e participou de campeonatos de natação. Chegou a representar o Brasil em um campeonato realizado na Espanha. "A deficiência visual traz limitações, mas eu sempre procurei me esforçar para continuar. Sempre coloquei Deus em primeiro lugar na minha vida e, em segundo, na minha família."
Quando vieram os filhos, ela também não teve dificuldade para se adaptar à nova rotina. A única ajuda de que ela precisava era para alimentar as crianças. "Banho e troca de fralda eu sempre fiz sozinha", orgulha-se a mãe de três. "Sou muito feliz e muito realizada com minha família. A deficiência visual não impediu de eu me realizar como mulher, como mãe. Sempre tive apoio do meu esposo, que me incentivava muito quando eu treinava natação. Ele era o meu maior incentivador."
JOELHO RALADO
A funcionária pública Tatiane Cruz Malassise, de 34 anos, teve a visão comprometida há 22 anos em razão de um problema no nervo ótico que até hoje os médicos não conseguiram diagnosticar. A baixa visão, conta ela, nunca foi impedimento para levar uma vida normal. "Eu costumo falar que prefiro chegar com o joelho ralado a não sair de casa."
Tatiane não aprendeu o sistema braile. A tecnologia é sua maior aliada. Ela utiliza recursos de ampliação visual, como aplicativos para celular, e audiolivros. "Em casa, fiz algumas adaptações, mas moro sozinha e me viro muito bem. A única coisa que não faço é dirigir."
Mas a funcionária pública ressalta que alguns locais poderiam facilitar a vida dos deficientes visuais, como bancos, onde as senhas para atendimento aparecem em um painel acessível apenas para quem enxerga, e condomínios, que não facilitam a vida dos deficientes visuais que utilizam os elevadores. "Os números dos andares geralmente são grandes, mas ficam em cima, em um local que não facilita muito a visão."
O objetivo principal do CAP não é auxiliar os deficientes visuais a terem autonomia, mas os profissionais do centro também oferecem esse tipo de apoio, quando há solicitação. "Nosso foco é pedagógico, mas também temos condições de ensinar um deficiente visual a se orientar na rua, auxiliar no aprendizado do sistema braile e orientar um guia sobre a maneira correta de guiar um deficiente", destacou Moacir da Silva.
SERVIÇO - Quem quiser conhecer o trabalho desenvolvido pelo CAP, o endereço é Avenida São Paulo, 294, 3º andar; fone (43) 3338-7999.


