Conscientização faz aumentar taxa de aleitamento em Curitiba
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segunda-feira, 03 de agosto de 1998
Adriana Ribeiro 
Os mitos que envolvem a amamentação estão cada vez mais sendo deixados de lado pelas mamães. A prova está nas maternidades, onde é difícil encontrar uma mulher que não queira que o filho recém-nascido se alimente através de seu seio, segundo a enfermeira Selma Campestrini, coordenadora do Programa de Aleitamento Materno (Proama), desenvolvido pela Prefeitura de Curitiba.
Ela diz que a cada ano, as mães se tornam mais conscientes da importância para seus filhos do leite que produz, esquecendo algumas crendices que envolviam até a possibilidade de deformação da mama. Dados da Aliança Mundial Pró-Amamentação (Waba) mostram que, em 1996, as taxas de aleitamento aumentaram de 10% para 53%. Para Selma Campestrini, essa nova realidade é resultado de grandes campanhas desenvolvidas em todo o mundo, a partir da década de 90.
Mas a conscientização ainda não é total. A coordenadora do Proama diz que o maior desafio ainda existente é de garantir a amamentação exclusiva do bebê até os seis meses de idade. O leite é um alimento completo que possui todos os nutrientes necessários para a digestão, metabolização e excreção das crianças, explica.
Por isso, Selma alerta que durante o primeiro semestre, a alimentação dos bebês não precisa de complementações, como água, chá, vitaminas ou leite de vaca. Mas nem sempre isso pode ser seguido a risca. Foi o que aconteceu com Josiane Cristina Mendes, 19 anos, que foi obrigada a recorrer a esses complementos para alimentar a filha Ketlen Mendes, hoje com um ano de idade.
Desde que a Ketlen nasceu ela mamou apenas uma hora, porque não aceitou meu seio, conta. Josiane ficou três dias no hospital insistindo na amamentação, mas teve que desistir. A solução foi colocar seu leite em mamadeira, mas sem o processo de sucção, o leite acabou secando, obrigando o uso de leite em pó.
Selma Campestrini explica que a dificuldade de manter a amamentação exclusiva é resultado de um mito que ainda persiste, apesar das campanhas de conscientização. É a idéia das mães que acreditam ter leite fraco ou em pequena quantidade.
Segundo ela, isso não existe. O leite materno é rico em proteínas, gorduras, lactose, sais minerais e vitaminas, diz. Segundo dados do Proama, estas substâncias são importantes para a prevenção de alergias, desnutrição crônica, diabetes e infecções respiratórias, intestinais, urinárias, de pele e de ouvido.
Estudos mostram que as crianças que não são alimentadas no seio podem apresentar, a longo prazo, deformidades na arcada dentária, e ficam mais propensas a problemas cardíacos e também mentais.


