Londrina - Renovar o ambiente escolar e tentar conscientizar crianças e adolescentes sobre a importância de preservar o colégio são alguns dos objetivos do projeto "Mobiliário Urbano para ambiente escolar público, produzido em concreto com material reciclado", desenvolvido no Colégio Estadual Polivalente, no Jardim Santa Rita (zona oeste), em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL). O estudo faz parte de um projeto maior, chamado Forma-Engenharia, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a empresa Vale.
"Participam três alunos do curso de Engenharia Civil da UEL e quatro alunos do curso técnico em Edificações, do Polivalente. O objetivo do projeto do CNPq é motivar os alunos do Ensino Médio a cursarem Engenharia e os acadêmicos do mesmo curso a permanecerem na universidade e se formarem. Escolhemos o Polivalente por ser o único colégio estadual a oferecer o curso em Edificações em Londrina", explica Berenice Toralles Carbonari, professora da UEL.
Na manhã de ontem, o projeto foi apresentado aos demais alunos do curso técnico em Edificações, dentro da programação da Semana Cultural do Polivalente. Através do contato com graduandos de Engenharia, os alunos do curso técnico puderam tirar várias dúvidas sobre o mercado de trabalho e o caminho a ser trilhado até a universidade.
"Os alunos vão projetar alguns itens como luminárias, bancos, lixeiras, que serão submetidos à votação dos demais alunos. Os dois mais votados serão produzidos em concreto feito com resíduos siderúrgicos e instalados no colégio. A ideia é que depois mais itens do mobiliário possam ser criados", conta o coordenador do curso técnico, Eduardo Mesquita Cortelassi.

Contra vandalismo
Berenice acrescenta que a ideia é que, como os próprios alunos farão o mobiliário, haja menos vandalismo. Segundo a vice-diretora Maria Vilma Motta Davanzo, há alguns dias os funcionários levaram um susto quando chegaram para trabalhar. O colégio havia sido invadido durante o final de semana e grande parte dos muros estava pichada. "Haviam mexido nas câmeras anteriormente, para que não fossem filmados depredando os muros", lamentou.
Natalia Amaral, Maycon Moraes, ambos de 15 anos, Letícia Marques da Silva e Clarisse Bastos, de 16, são os alunos do 2º ano do curso em Edificações que participam do projeto. Para eles, a maior vantagem é ter contato com o futuro mercado de trabalho e aprender na prática alguns conceitos, além de poder melhorar o ambiente escolar.
"Várias das matérias que estudamos também são vistas na universidade. Isso também nos incentiva a posteriormente cursar Engenharia ou Arquitetura", diz Natalia. "Será legal fazermos os móveis. A ideia é melhorar a nossa escola e até incentivar os alunos a estudarem mais", argumenta Letícia.

Troca de experiências
Para os acadêmicos da UEL, o contato com os futuros colegas de profissão é uma troca muito interessante. "A ideia do projeto é evitar a fuga do pessoal da graduação, ao mesmo tempo que atrai novos alunos. É legal estarmos aqui e incentivarmos os adolescentes a irem para a universidade", conta Rafael Reina, do segundo ano de Engenharia Civil.
Seu colega de turma, Fabrício Alves, concorda. "O projeto é um chamariz. Muitos nem sabem como chegar até uma universidade pública, e hoje tivemos a oportunidade de tirar várias dúvidas, que foram além do projeto de mobiliário. É interessante termos contato com nossos futuros colegas de trabalho", afirma.
Ísis Peixoto, arquiteta e mestranda em Engenharia, diz que através do projeto é possível levar os jovens da escola pública para dentro da universidade, enquanto apresentam conceitos da área. "Explicamos o que é mobiliário urbano, a nossa preocupação com a sustentabilidade e algumas das realidades que já enfrentamos no mercado de trabalho."

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