Conscientização é difícil
Nas emissoras de rádios de Bandeirantes um aviso de utilidade pública vai ao ar a todo momento. Os locutores deixam de lado a programação noticiosa e musical para informar quem tem consulta marcada no ambulatório da prefeitura. Os convocados são pessoas cujos exames para esquistossomose podem ser positivos. Os técnicos da secretaria também se multiplicam para conseguir ir até as casas dos doentes para primeiro incentivá-los a fazer o exame de fezes e depois informá-los dos resultados. Outros elaboram ações educativas, como palestras para estudantes e grupos de moradores.
É um trabalho difícil. Por mais que saiba da doença e do risco de contato com as águas que correm no município, a população continua abusando. Magna Rodrigues da Silva tem 38 anos. Ao ver o pessoal da secretaria ''caçando'' caramujo perto de sua casa quis saber se eles já tinham o resultado dos seus exames. Com os filhos Lucas, 8, e Caio, 13, na barra da saia, admite que os meninos, apesar de suas recomendações, brincam nas águas infestadas de caramujos.
Mais tarde, a reportagem ficou sabendo que Magna estava com a doença. Seu tratamento começaria imediatamente, com uma consulta e prescrição do remédio, que deve ser tomado na frente do médico para evitar que os pacientes deixem o comprimido de lado.
Em casas de outro bairro, o Bela Vista, nascentes de água estão no meio de alguns quintais. Não é preciso esforço nenhum para ver os caramujos que podem ser hospedeiros da doença em meio aos filetes de água. Os moradores juram que não mexem com a mina depois que souberam que ali pode ter problema. Porém, enquanto os pais falam com o repórter, um garotinho brinca com a água.
Na Zona Rural, o trabalho da Secretaria de Saúde ainda está no começo. ''A maioria aqui ainda não tem fossa, vamos descarregando as fezes por aí'', diz Adenir Antunes de Siqueira, presidente da associação de moradores de um assentamento que engloba 40 famílias, ao receber o resultado que atestou a doença em dois assentados. (W.S.)





