Londrina- O Conjunto Ernani Moura Lima, localizado na zona leste de Londrina, registrou um índice de infestação predial de 0,83% no primeiro levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) deste ano, realizado entre os dias 6 e 11. O percentual foi o menor entre todos os bairros de Londrina e o único abaixo de 1%, índice tolerável pela Organização Mundial de Saúde. Das 121 casas visitadas, apenas uma registrou a existência de focos de mosquito transmissor da dengue. A média na cidade foi de 7,4%, sendo que foram visitadas cerca de 40 localidades.
O asseio das casas e a vigilância frequente podem ser consideradas as práticas fundamentais para que o índice de infestação permanecesse baixo no bairro. Na casa do serrador aposentado Antônio Brasilino Ferreira, de 61 anos, o cuidado é constante. "Eu acredito que se cada um cooperar, essa dengue vai acabar", disse esperançoso. Ele destacou que olha com frequência os vasos de sua casa, examina todos os ralos e troca a água do cachorro constantemente.
Cuidado semelhante ao praticado pela zeladora Ivonete dos Santos Reis, de 45. "Eu sempre vistorio o meu banheiro, não deixo o lixo acumular e verifico sempre o reservatório de água que fica atrás da geladeira", afirmou. Ela disse que o segredo dos moradores do bairro é cuidar sempre do quintal, já que os focos geralmente são encontrados nessa área das casas.
Quem tem crianças pequenas deve tomar cuidado com os brinquedos e objetos que elas espalham pela casa. O autônomo Jean Rodrigo de Oliveira, de 34, possui três filhos, de 9, 7 e 2 anos de idade. Ele explicou que se os objetos ficarem fora de casa, podem acumular água e isso representa um perigo para as próprias crianças.

Fundo de vale
Mesmo em um bairro com um índice baixo de infestação é possível encontrar problemas como o descarte de lixo em fundos de vale, que possui potencial para formar criadouros de mosquito. "Os próprios moradores jogam lixo doméstico no fundo de vale. A prefeitura tinha realizado a limpeza da área na semana passada e já jogaram lixo de novo", criticou o morador Edson Silva, de 55.
O supervisor do setor de Endemias da Secretaria de Saúde, Luiz Alfredo Gonçalves, destacou que é preciso manter a prática de fiscalização constantemente. E ressaltou que o caso do lixo jogado no fundo de vale é só um exemplo de que a situação pode mudar em questão de dias.
Segundo Gonçalves, o percentual de infestação baixo no Ernani Moura Lima é resultado da conscientização das pessoas e espera que todos continuem assim. "O poder público pode fiscalizar praças, parques e fundos de vale, mas a maior parte das infestações na cidade está nos vasos localizados nos quintais das casas e o pessoal do Ernani Moura Lima tem cuidado bem disso", destacou.
Ele afirmou que outro motivo para a infestação ser reduzida é que a área dos imóveis é de 200 m², inferior a de outros bairros como o Conjunto Antares, que possui cerca de 300 m². O Antares fica próximo ao Ernani Moura Lima e registrou 2,57% de infestação predial. Entre os bairros que apresentaram maiores índices estão a Vila Fraternidade, na zona leste, com 15,46%; região do Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa (área central), com 14,94%;
Jardim do Sol (zona oeste), com 13,10%; Cojunto Lindóia, com 13,98%, e Jardim Marabá, com 12,99%, ambos na zona leste.
A Secretaria de Saúde havia registrado até segunda-feira 306 notificações e dois casos confirmados de dengue clássica, sendo um importado e um autóctone, este na Vila Nova (área central).

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