Conscientização contra hanseníase
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terça-feira, 24 de maio de 2011
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
O Brasil ocupa o segundo lugar na lista dos país com maior número de casos de hanseníase no mundo. Somente em Londrina, no ano passado foram diagnosticados 39 casos da doença, que provoca manchas e perda de sensibilidade na pele. O diagnóstico precoce é a melhor forma de evitar sequelas, como infecção nos nervos e mãos e pés encurvados. O tratamento é feito com uso de medicamentos disponibilizados gratuitamente em todos os postos de saúde do país. Representantes das secretarias estadual e municipal de Saúde realizam a Semana de Conscientização contra a Hanseníase.
A hanseníase é transmitida por via respiratória, conforme explica a dermatologista do Consórcio Intermunicipal do Médio Paranapanema (Cismepar), Cristina Aranda. ''A doença é provocada por bacilos e o contágio ocorre quando há contato permanente com pessoas que portadoras da doença.''. Entretanto, a médica destaca que a transmissão não acontece através de simples apertos de mão, uso da mesma toalha ou abraços. ''A contaminação só ocorre entre pessoas que moram na mesma casa e que tenham pré-disposição genética para contrair o bacilo. Isso só ocorre com apenas 5% da população'', enfatiza.
Manchas dormentes avermelhadas ou esbranquiçadas em qualquer parte do corpo, caroços na pele e inchaço fazem parte dos principais sintomas da doença, que atinge principalmente pessoas entre 20 e 60 anos de idade. ''A hanseníase provoca perda de sensibilidade no local atingido e por causa disso a pessoa pode queimar-se ou se machucar com frequência sem que perceba, causando infecções secundárias graves'', alerta Cristina.
Complicações
Os riscos de outras complicações causadas pela hanseníase também aumentam quando o diagnóstico é feito tardiamente. ''Com o tempo os bacilos que provocam hanseníase podem atingir os nervos e provocar encurvamento dos pés e mãos, populamente conhecidos como pé-caído e mãos em garra'', diz a dermatologista. Ela ressalta a importância de procurar um dermatologista ou um clínico geral nos postos de saúde quando surgirem manchas pelo corpo que não desaparecem em 30 dias aproximadamente. ''É muito comum a pessoa achar que está com micose quando na realidade tem hanseníase'', argumenta.
De acordo com Cristina Aranda, o preconceito e a desinformação são grandes obstáculos no combate à doença. ''Londrina registra uma média de um caso da hanseníase por semana, mas muitas pessoas ainda têm receio de procurar um médico devido a lendas que ainda cercam a doença. É importante destacar que apenas 5% da população tem pré-disposição genética para contrair a doença e que o tratamento é eficaz e feito em casa, sem a necessidade de a pessoa parar de trabalhar. Também vale a pena lembrar que a hanseníase não provoca queda de membros'', informa.
Geralmente, o diagnóstico da doença é realizado através de exame clínico. ''São feitos testes de sensibilidade nas partes do corpo em que surgiram manchas vermelhas ou brancas. Em alguns casos também são realizados exames de bacilosocopia, com linfa colhidos dos lóbulos da orelha ou dos cotovelos, ou ainda por biópsia'', afirma Cristina.
O tratamento contra hanseníase é gratuito e feito com medicamentos disponibilizados nos postos de saúde. ''É recomendado o uso de comprimidos específicos contra a doença por períodos que variam de seis meses a um ano, conforme a gravidade do caso'', diz a dermatologista.


