Cerca de 300 crianças percorreram ruas do bairro para alertar população sobre o assunto
Cerca de 300 crianças percorreram ruas do bairro para alertar população sobre o assunto | Foto: Gina Mardones



Ibipor㠖 Cerca de 300 crianças participaram de uma passeata na manhã desta quarta-feira (17), no conjunto Miguel Petri, em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), contra o abuso e a exploração sexual de crianças. Em 2016 a direção da escola localizada no bairro registrou um caso de violência sexual contra uma de suas crianças. Segundo a diretora da escola municipal Nelson João Sperandio, Ivonete Dias, lidar com esse caso foi um processo bastante doloroso para a equipe da instituição."Por isso a gente trabalha diariamente esse assunto na escola, principalmente nesta região."

Ivonete explica que o mais difícil é a maneira de abordar o tema com os alunos. "A criança dá cada depoimento que a gente fica sem ação, não sabe como colocar isso para a criança. Nesse caso pedimos auxílio do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas)", observa, revelando que o caso de abuso foi identificado por uma professora.

Durante a passeata, que faz parte da programação do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (18 de maio), os meninos e meninas se empenharam em gritar pela vizinhança a frase "Denuncie! Disque 100!" repetidamente para que o número ficasse gravado na memória de todos. Embora o Miguel Petri seja um bairro novo, registros de casos de violência sexual não são raros. Uma das alunas revelou que conversa sobre o assunto com seus pais frequentemente, principalmente depois que a família ficou sabendo que uma pessoa que morava no bairro foi presa por estupro. "Minha mãe sempre fala que eu não devo ficar na rua por muito tempo e nem ficar falando com desconhecidos. Ela sempre fala sobre sexo comigo", destaca com uma maturidade surpreendente para alguém que ainda está no ensino fundamental.

"Isso dá medo. Assusta, pois eu tenho dois filhos, uma tem 18 anos e o outro tem cinco anos de idade", expõe a auxiliar de produção, Gisele Nazaré da Silva, que acompanhou a atividade das crianças, e revelou ter conhecimento de um caso de estupro. A dona de casa Sirlene Ferreira conta que seus netos de oito e cinco anos estavam participando da passeata. "É muito importante orientar desde pequeninos. Nunca ouvi falar de alguém que tenha sido abusado, a não ser pela televisão, mas se acontecer, já memorizei o número e posso ligar", revela.

CASOS
A presidente do CMDCA de Ibiporã, Débora Batista de Lima Borges, informa que em 2016 o Conselho Tutelar de Ibiporã atendeu 439 casos de violação de direitos de crianças e adolescentes, sendo 44 registros de abuso ou exploração sexual. "Esses são os casos que vêm até o Conselho Tutelar, mas muitos não são comunicados. A população precisa denunciar junto ao Conselho Tutelar, junto ao Ministério Público, junto aos órgãos públicos", destaca.

Já o Creas notificou 53 casos de violência contra crianças e adolescentes, sendo 25 de abuso sexual e seis de exploração, totalizando 31 casos, 58% do total de atendimentos. "Nós, como sociedade, somos responsáveis por essas crianças e por esses adolescentes. É preciso que os pais e a sociedade civil observem, cuidem e protejam."


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