''Era uma vez uma menina linda, linda Os olhos dela pareciam duas azeitonas pretas, daquelas bem brilhantes Os cabelos eram enroladinhos e bem negros, feito fiapos da noite A pele era escura e lustrosa, que nem o pelo da pantera negra quando pula na chuva ''
O parágrafo inicia a obra ''Menina Bonita do Laço de Fita'', de Ana Maria Machado, que foi contada ontem aos alunos da Escola Municipal Professora Maria Tereza Meleiro Amâncio, no Jardim Santa Rita (Zona Oeste de Londrina), em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra Uma professora caracterizada como a personagem principal do livro, que encanta um coelhinho branco com sua beleza escura, aumentou a graça da singela história
O objetivo da atividade, de acordo com a diretora Gilles Dias, foi sensibilizar as crianças sobre o preconceito ''Vivemos um momento de superação do racismo'', disse ela, que há quatro anos realiza na escola uma campanha para coibir a prática do bullying de qualquer natureza ''A ideia é mostrar que todos somos diferentes'', explicou
Entre os alunos - que permaneceram absolutamente comportados - as aventuras da bonita menina agradaram ''Achei a história muito legal'', disse Lucas Gabriel Borges, 9 anos, que sempre fica chateado quando presencia situações de falta de respeito com negros
Gabriel da Cruz Moreira, 9, estava empolgado com a possibilidade de comemorar, pela primeira vez, o Dia da Consciência Negra ''Gostei de saber que agora vai ser feriado'', disse
O menino, que já foi insultado por ser negro, enfatizou que as pessoas tratam como brincadeira um assunto que na verdade é ofensa Para ele, a história de Ana Maria Machado pode ajudar a aumentar a consciência de todos sobre o racismo ''Muita gente trata os negros com falta de respeito'', denunciou
Rafaela de Lima Simão Colado, 9 anos, já conhecia o livro, mas gostou de ouvir novamente a narrativa com interpretação da professora fantasiada ''É um livro que representa muito bem as pessoas negras'', opinou A estudante relatou que já foi vítima de bullying, por parte dos colegas, por ser negra ''Fui na mesma hora falar com a diretora e ela resolveu o assunto Pessoas que fazem essas coisas precisam aprender a se comportar Esse tipo de ofensa dói muito na gente ''

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