Há 10 anos à frente da Associação de Preservação Ferroviária de Jacarezinho (APFJ), João Mendes de Oliveira já ganhou reconhecimento popular: ''Tudo que se tem feito em defesa da ferrovia, de alguma forma tem relação com ele'', observa Anides Ronsoni Mikiewski em sua tese de conclusão do curso de História na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho (Fafija).
Anides mora em Jacarezinho faz quatro anos e surpreendeu-se: os jovens conhecem a história, existindo entre eles ''uma consciência de preservação'' do patrimônio. Numa pesquisa por amostragem, seis alunos de cada turma do Colégio Estadual Luís Setti e do Colégio Alpha (particular) responderam a um questionário, revelando que 100% deles têm conhecimento da estação (inaugurada em 5 de outubro de 1930) e só entre 18% e 19% (de uma escola para outra) desconhecem a contribuição da ferrovia em termos de transporte, migração, exportação e desenvolvimento urbano.
Admirador da persistência de João Mendes e eventual orientador jurídico da APFJ, o advogado Celso Rossi, natural de Jacarezinho, autor do livro sobre o centenário da comarca, não vê como dissociar a ferrovia do desenvolvimento regional. ''Eu mesmo ia de trem a Curitiba estudar, 20 horas, no vagão de segunda classe.'' Mas à noite, sem que o chefe do trem visse, por vezes passava ao vagão de primeira classe. ''Era o transporte do interior, daqui para frente, de estação em estação.'' (W.S.)

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