CONQUISTA - 'Venci uma batalha', afirma servidor público
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segunda-feira, 06 de junho de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
O servidor público Álvaro Francisco Talhetti foi o penúltimo paciente a receber o transplante de medula na Unidade de Transplante de Medula Óssea (TMO) do Hospital Universitário de Londrina. O procedimento dele foi o de número 101.
Ele foi um dos transplantados que compareceu, ontem de manhã, ao evento comemorativo aos 102 procedimentos realizados pela unidade.
Álvaro foi diagnosticado com linfoma em novembro de 2013. "No começo é muito pesado porque o aspecto psicológico é muito importante", disse. "Mas depois que você assimila a doença e passa a conviver com ela, você meio que se acostuma."
Antes de fazer o transplante, Álvaro foi submetido a quatro protocolos de quimioterapia, que são séries de sessões do tratamento. "O primeiro não deu certo e, segundo o meu médico me explicou, depois do primeiro protocolo, se não der certo, você obrigatoriamente tem que passar pelo transplante."
O procedimento foi feito no mês passado e a medula "pegou", o que na linguagem médica significa que o transplante foi bem-sucedido. Agora, Álvaro se recupera e, aos poucos, volta às suas atividades normais. "Venci uma batalha. A quimioterapia não estava sendo eficiente. Ainda tenho muita fraqueza muscular porque fiquei 20 dias sobre uma cama, mas estou me recuperando. O importante é nunca perder a esperança. Eu nunca perdi não só por mim, mas pela minha mulher e pelos meus dois filhos", afirmou.
"Foram três anos de luta e, quando chegou a hora do transplante, foi uma alegria. O procedimento durou 23 dias e tivemos que lidar também com a saudade dos filhos porque moramos em Cornélio Procópio", disse Gisele, mulher de Álvaro, que esteve ao lado do marido durante todo o tempo. "Quando saímos do hospital, parece que o dia estava até mais claro."
Alívio também foi o que sentiu Júlia Ataíde de Lima, que em 2013 também recebeu o diagnóstico de linfoma e realizou o transplante na TMO. "Eu já tinha tido um câncer de mama em 2002 e minha esperança de cura era mínima. Você acha que já é o fim. Não queria o transplante. Achava que não iria adiantar. Foram dias de muita angústia", relembrou.
"Para mim é uma satisfação muito grande fazer parte desse grupo de pessoas. Fui muito bem cuidada aqui. É muito amor, muito carinho, muita dedicação", comentou ontem, emocionada ao ver a própria imagem em um vídeo apresentado pela equipe da TMO. "A gente sofre bastante porque começa a assistir o dia a dia do paciente e depois que entra no tratamento, não tem como retornar. Mas superamos essa fase", disse Eliseu, o marido de Júlia.


