Conjuntos populares ficam pela metade
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sexta-feira, 18 de abril de 1997
Sid Sauer Correspondente 
Sid SauerDe graçaSouza, com a mulher, Tereza, numa casa sem terminar em Água Fria: Pelo menos não pago nada IRETAMA - Obras de casas populares que deveriam estar prontas há quatro anos estão se perdendo no tempo em Iretama (70 quilômetros ao sul de Campo Mourão). São 40 unidades em Água Fria e 20 em Marilu, na zona rural do município. As obras começaram no final de 1992, ainda pelo extinto programa Casa da Família, e foram paralisadas porque a prefeitura não cumpriu o cronograma previsto no convênio firmado com a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar).
Somente em Água Fria, foram liberados R$ 135 mil para as obras. O dinheiro que deveria ter feito 64% da construção, no entanto, acabou com apenas 36,6% dos trabalhos realizados. Como a prefeitura não cumpriu a etapa programada, a Cohapar parou de liberar as parcelas. O caso de Marilu é semelhante. Os R$ 87,7 mil liberados dariam para atingir 83% dos trabalhos, mas apenas 52,37% do conjunto ficou pronto. Para piorar a situação, boa parte do que estava pronto acabou depredada. Vitrôs e madeiras, por exemplo, foram roubados e paredes foram quebradas. Algumas casas chegaram a virar chiqueiros para porcos. Resultado: os 36,6% das obras que estavam prontas em Água Fria caíram para 29,6% no último levantamento feito pela Cohapar. Em Marilu, o percentual de 52,37% caiu para 39,30%.
Com as casas inacabadas, parte dos mutuários optou pela invasão. Poucas casas, porém, estão em condições de moradia. Em Água Fria, a maioria delas ainda não recebeu o madeiramento para a cobertura. As que receberam a madeira apodreceu. O bóia-fria Manuel Paulino de Souza, 60, está morando numa das casas há um ano. Conta que foi levado por um vereador. Antes, morava num sítio.
O secretário de Obras de Iretama, Francisco Leomir de Lemos, diz que o Município está reiniciando as obras em Água Fria, mas sem previsão para a entrega do conjunto. A prefeitura terá que usar recursos próprios até chegar aos 64% das casas para voltar a receber verbas da Cohapar. Em Marilu, não há previsão para a retomada das casas, que têm 52 metros quadrados
Segundo Lemos, a paralisação ocorreu na administração anterior, de Veriano José Nery (PPB). Os problemas, no entanto, começaram ainda em 1992, quando o atual prefeito, Same Saab (PSDB), estava no final de seu primeiro mandato. Em Roncador (100 quilômetros ao sul de Campo Mourão), o prefeito Odilon Gonçalves (PSDB) enfrenta problema parecido. Ele está renegociando com a Cohapar a conclusão de 71 casas que ficaram pela metade. Parte delas chegou a ser invadida no final de 96.
Segundo a Cohapar, as prefeituras que estão nessa situação têm duas alternativas. Uma é regularizar a situação das obras para voltar a receber recursos. A outra é devolver para a Companhia o dinheiro que recebeu e não investiu na construção. Nesse caso, a Cohapar vai tentar convencer os mutuários a aderir ao sistema de auto-gestão, onde eles próprios recebem o dinheiro e contratam o serviço. Esse é o sistema atualmente adotado pela empresa.
Inauguração O secretário de Estado da Habitação e presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Rafael Dely, participa hoje, às 12h30, da solenidade de entrega oficial das 88 casas do Conjunto Moradias Tropicais. É o primeiro conjunto construído através do programa Casa Feliz em Campo Mourão. Uma das novidades é que as casas não são padronizadas, uma vez que são os próprios mutuários que definem o modelo da construção.
Outros dois conjuntos em Campo Mourão, com 137 casas, devem ser inaugurados pelo governador Jaime Lerner em maio. Dely também iria participar ontem à noite de uma palestra na Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão, sobre a política habitacional do Paraná.


