Ellen Aparecida Rodrigues Marcondes, 12 anos, moradora da Gleba Cafezal (zona sul de Londrina) teve que ir ontem à tarde ao posto de saúde, para tratar dos olhos. Avermelhados, inchados e doloridos, apresentavam os sintomas da conjuntivite desde a tarde de sexta-feira. O avô e o pai estão do mesmo jeito. ''Meu marido nem dormiu essa noite de tanto incômodo, mas não quir vir junto com a Ellen para o médico'', disse a aposentada Brasilina Silva Alves Marcondes, 63 anos, ao levar a neta ao posto.
Dona Brasilina fez o correto. A diretora de epidemiologia e saúde ambiental da secretaria, Josemari de Arruda Campos, disse que a automedicação deve ser evitada, especialmente quando envolve antibióticos e corticóides. Ela explicou que a doença é comum durante todo o ano e surge das mais diversas origens.
''Essa chegou com tudo após o Carnaval e parece ser de origem viral, já que não provoca o aparecimento de secreção purulada como a conjuntivite bacteriana'', explicou. Josemari disse que a Saúde ainda não tem em mãos dados sobre a doença, e, por isso, não há como dizer se pode ocorrer um surto. ''De qualquer forma, já estamos em alerta'', frisou.
Os casos surgem por toda a cidade. Segundo Jaine Aleixo, enfermeira do posto de Saúde do Jardim União da Vitória (zona sul), famílias inteiras do bairro estão com conjuntivite. No posto de saúde do Jardim Leonor (zona oeste), que atende 24 horas, entre 30 e 40% das consultas estão tendo como motivo sintomas da conjuntivite. A gerente da unidade, Rosemary Molina, disse que é percepítvel o aumento de casos nos últimas dias. ''Não é só os que atendemos aqui no posto, mesmo fora do trabalho estamos vendo o aumento'', relatou a gerente. ''Todos os meus filhos estão com conjuntivite.''
No Posto de Saúde José Belinatti (área central), também 24 horas, são entre 30 e 40 consultas por dia. Até sexta-feira, eram cerca de 25 atendimentos a cada dia. De sábado para cá, segundo a gerente Vera Lúcia Roncaratti, o número de pacientes aumentou. Até o meio-dia de ontem, foram 13 os casos atendidos ontem na unidade. Às 15h30min, o número já tinha subido para 19. E mesmo nas farmácias a procura pelos remédios tem sido grande. Em algumas redes, já começam a faltar os colírios.
Muita gente tem procurado também as farmácias para tratar por conta própria. A Drogamais da Avenida Maringá, por exemplo, tem atendido pelo menos quatro pessoas ao dia com conjuntivite. ''O pessoal insiste em procurar a medicação antes de consultar o médico, mas temos orientado a procurar o consultório ou posto de saúde'', disse Linda Kohatsu, farmacêutica do estabelecimento.

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