Conhecimento contra discriminação
Curitiba - Mesmo diferentes, as religiões apresentam em comum a proposta de oferecer a seus seguidores caminhos de proximidade com Deus e preocupação com o bem-estar comunitário. Para o pesquisador Luiz Alberto Souza Alves, o estímulo à capacidade de convivência com as diferenças é a principal função tradições religiosas. "A função é de ser humanizadora, de dar condições de se humanizar, se equilibrar. Exercer a caridade, benevolência, amor e se comprometer com a humanidade, com a justiça e com o diferente", explica.
Ele conta que observou em Curitiba casos de resistências e intolerâncias exercidos a algumas religiões. "São representantes que possuem análise teológica fundamentalista sem a capacidade de conviver com a diferença. Mas ninguém tem o mandado divino para dizer que esta ou aquela religião é verdadeira. Somos diferentes e dentro das diferenças a gente se completa", critica.
Mas isto parece ser coisa do passado. Nenhum dos representantes entrevistados pela FOLHA afirmou ter restrições a determinados segmentos e não se sentem discriminados. "Já discutimos muito este assunto, mas hoje a gente nem liga. Estamos muito bem colocados como religião. O que poderia nos atingir não atinge mais", conta a mãe de santo do terreiro de umbanda Pai Maneco, Lucília Guimarães.
"Acreditamos na igualdade entre as pessoas e respeitamos todas as religiões. Elas devem viver como quiserem, sem imposição religiosa", complementa o roush -líder religioso- da Congregação Israelita da Nova Aliança, Ezrah Ben Levy. Ele conta, porém, que a comunidade ainda sofre agressões de grupos neo-nazistas.
Conhecimento
"O diálogo com outras religiões enriquece a nós e ao próximo, à humanidade. Só teremos o conhecimento se nos permitirmos a troca de informação e ideias, o que promove o respeito", afirma o vice-presidente da comunidade muçulmana de Curitiba, Gamal Fouad El Oumairi. "O precocento vem da ignorância", reclama Lucília.
De acordo com os representantes das religiões, a discriminação é resultado da falta de conhecimento sobre as doutrinas e pode potencializar ainda mais a garantia da dignidade a todos. "Precisamos deixar de lado as diferenças dogmáticas e nos reunirmos para efetivamente contribuir com a sociedade", sugere o padre Domenico Costella, da paróquia Bom Pastor. (C.G.B.)





