Conhecidos acreditam que irmãos não eram bandidos
Trabalhadores contratados pelos irmãos Mello para concluir uma casa localizada em frente à residência onde eles moravam e foram mortos estão com muitas dúvidas. Os funcionários suspeitam que os dois não tinham qualquer envolvimento com atos criminosos. Não acredito que eram bandidos, disse o encarregado da obra, Jessé Souto Braz, 28 anos.
Braz e o eletricista Silvino Alionço, 28 anos, estavam preocupados com o paradeiro do caseiro Valter, que foi levado pelos agentes do Cope após o tiroteio. Valter estaria dormindo quando os policiais chegaram para prender Nelson e Elias.
Os operários estranharam o fato de a polícia ter anunciado a localização de um grande arsenal de armas e equipamentos dentro da casa. Nem forro tinha por aqui, disse Braz. O eletricista Alionço afirmou que qualquer movimentação estranha seria percebida, já que todos tinham liberdade para circular no interior da residência.
Jessé Braz também estava preocupado com o destino dado a algumas ferramentas, uma televisão e um videocassete de sua propriedade, que teriam sido apreendidos pelos policiais. Os operários estavam assustados com a grande quantidade de tiros dados pelos policiais. Muitos disparos atingiram as paredes internas. Nelson e Elias teriam morrido em quartos separados. No quarto do caseiro, onde Nelson pode ter sido baleado, uma poça de sangue estava acumulada no canto da janela.
Nelson e Elias, que diziam aos trabalhadores que a família tinha fazendas nos municípios da Lapa, Campo Comprido e no Estado de Rondônia, compraram a residência há nove meses. Logo depois, adquiriram outra casa que está sendo erguida dentro do mesmo terreno. O mais novo (Elias) queria vir morar em Curitiba, disse Jessé. Os trabalhadores afirmaram que nem Nelson ou Elias tinham sotaque catarinense, embora a polícia tenha informado que eles eram de Santa Catarina. Eles falavam que nem pé-vermelho, gente do norte do Paraná, afirmou Alionço. (veja matéria abaixo).
O eletricista Silvino Alionço suspeita que João Batista Costa, preso como o mentor das fugas dos assaltos, é que tenha incriminado injustamente os dois irmãos. João ia com frequência na casa dos Mello e era visto como uma pessoa calada e que não fazia questão de conversar com os operários. João foi visto pela última vez na casa dos Mello por volta das 14 horas de quarta-feira, poucas horas antes de ser preso. (D.V.)





