Início do ano letivo, primeiras aulas de Ciências. Durante a explanação do conteúdo de ótica geométrica aos alunos da oitava série da Escola Berlaar Santa Maria, em Londrina, o professor Carlos Henrique Gorges Vici propõe uma discussão sobre a deficiência visual. Era o início de um projeto de inclusão social que envolveu toda a instituição. O objetivo: conhecer o diferente para que todos se tornassem iguais.
O resultado dos sete meses de pesquisa sobre o cotidiano do deficiente visual e o que fazer para vencer o preconceito e melhorar a qualidade de vida deles foi apresentado na última sexta-feira a um grupo de alunos do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc). ''A Fazenda do Tio Chico - uma história infantil em CD'' narra a chegada de um novo animalzinho à fazenda, o esquilo cego Theodor, e a reação dos outros bichos ao conviver com um integrante diferente. ''No texto procuramos ser bem descritivos e trabalhamos os outros sentidos para que eles pudessem imaginar o que estava escrito'', explica a aluna Maria Augusta Perotti.
O CD foi realizado integralmente pelos estudantes, desde o enredo até a capa, confeccionada em embalagens Tetra Pak, material reciclável. A professora de Música ensaiou um coral para a gravação das músicas que embelezam a história. ''Mobilizamos toda a escola para arrecadar as embalgens e depois fizemos um mutirão para montar a capa. Aprendemos muito durante este projeto, especialmente que ninguém é diferente de ninguém. Espero que o CD seja de grande ajuda aos portadores de deficiência visual'', ressalta a estudante. A escola recebeu a doação de 500 CDs, que agora serão distribuídos gratuitamente às instituições que trabalham com portadores de deficiência.
De acordo com a coordenadora do Ilitc, Ivone Gomes da Rocha Galdino, é a primeira e valiosa parceria da instituição com uma escola em um projeto de literatura. ''Entre os personagens da história estão animais desconhecidos pelos alunos; será uma excelente oportunidade para trabalhar isso em sala de aula'', afirma Ivone. Segundo a coordenadora, há uma carência de atividades literárias em instituições para cegos porque faltam materiais adaptados. ''Como nem todos os alunos têm facilidade para ler em braile é importante a possibilidade do audiolivro no processo de alfabetização'', salienta.
Atento à história do esquilo Theodor, o aluno do Ilitc Guilherme Lucas da Silva Almeida, 16 anos, elogiou a iniciativa. ''Neste projeto eles se colocaram no nosso lugar e agora, se nos encontrarem pela rua, poderão ajudar a atravessá-la, por exemplo. Com a história, os alunos querem abrir os olhos das pessoas para que não excluam os deficientes'', reflete o jovem.

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