Congresso mostra novos usos das
ferramentas do geoprocessamento
Recurso auxilia
em pesquisas nas
áreas de política,
agricultura e saúde
Ana Clara Garmendia
Os brasileiros André Azevedo e Klever Kolberg, dupla seis vezes campeã do Rally Paris Dakar, são uma das principais atrações do IV Congresso e Feira para Usuários de Geoprocessamento da América Latina (GIS Brasil 98) que começou ontem no Centro de Convenções de Curitiba. e termina no dia 29.
André e Klever vão contar no dia 27 como usam o Sistema de Posicionamento Global (GPS) nas suas peripécias de moto exigidas nos árduos trajetos do Paris Dakar. O GPS é um dos sistemas que fazem parte do geoprocessamento. Considerado um importante instrumento de navegação, ele permite saber a localização exata dos competidores e qual a distância até seu destino.
Durante o rally, os participantes atravessam mais de dez países. A parte mais difícil é o deserto do Saara, onde muitos competidores têm dificuldade para se localizar. Durante muito tempo o uso do GPS foi proibido, mas desde 92 passou a ser utilizado por todas as equipes no Paris Dakar.
O processamento de informações geográficas (GIS), outra ferramenta do geoprocessamento, já é adotado em países desenvolvidos, mas ainda é novidade no Brasil. Sua aplicação tem sido mais comum em pesquisas nas áreas de saúde, agricultura e política.
Segundo o doutor em ciência política e pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Antonio C. Alkmim (foto), o geoprocessamento é uma ferramenta que também pode ser útil na análise de resultados eleitorais. ‘‘O geoprocessamento pode ajudar os políticos a ter um diagnóstico espacial das eleições. Isso é importante porque as eleições são disputadas num espaço físico. A partir das informações georreferenciadas, os candidatos podem traçar suas estratégias e ver a evolução de votos ou a mudança do eleitorado’’, afirma Alkmim.
Dengue - O geoprocessamento também pode ser um importante aliado no controle e prevenção de doenças epidemiológicas como a dengue. A afirmação é do coordenador do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (RJ), Roberto Medronho. ‘‘Pode-se localizar as áreas em que a dengue está se manifestando e em que grupos sociais’’.
Na opinião dele, se as secretarias de saúde se ‘armassem’ com o recurso, seria mais fácil controlar as doenças epidemiológicas. ‘‘Isso exige a familiarização dos profissionais com o geoprocessamento, o que não é um projeto barato’’. Em Curitiba, o recurso já é utilizado. A Secretaria de Saúde já sanou um surto de leptospirose através de informações cruzadas com mapas digitais, um sistema em que a cidade é uma das pioneiras.

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