Congresso mostra experiência cubana
Lúcio Horta
De Londrina
Como um país que não tem dinheiro nem para colocar flúor na água conseguiu reduzir a incidência de cáries entre sua população para um índice abaixo do estipulado como ideal pela Organização Mundial de Saúde (OMS)? A resposta foi dada ontem pela presidente da Sociedade Cubana de Estomatologia e Odontologia, a doutora Margarita Perez, durante palestra no 1º Congresso Mundial de Odontologia, que termina hoje, no Colégio Marista de Londrina. Ela falou dos programas, mostrou vídeos e exibiu até uma técnica simples e eficaz para prevenção de câncer bucal. A palestra de Margarita Perez foi acompanhada por dentistas e estudantes.
Segundo Margarita, o índice de dentes cariados, perdidos e obturados para uma criança de 12 anos em Cuba é de 1,62. O número ideal estimado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o ano 2000, por exemplo, é de 3. Margarita explica que esse resultado só foi possível porque o governo cubano elegeu como prioridade a área da saúde, que consome um terço do orçamento geral.
Somente na área odontológica, disse ela, são realizados diversos programas para prevenir a incidência tanto de cáries quanto de doenças mais graves, como o próprio câncer bucal. Existem, por exemplo, programas específicos para mulheres grávidas; outros para mães com filhos menores de um ano de idade; programas para crianças com menos de 15 anos; e tratamentos para pacientes portadores de câncer bucal.
O curioso é que em 1960, depois da Revolução Castrista, praticamente todos os dentistas que moravam em Cuba se exilaram e o país ficou sem profissionais da área. Para piorar, a incidência de cáries na população era alta, próxima de seis dentes perdidos ou obturados numa pessoa de 12 anos.
Nestas condições, o primeiro passo foi formar técnicos para cuidar dos dentes da população. Não era possível formar dentistas porque não havia profissionais, professores ou escolas. Aos poucos, porém, a carência no atendimento foi substituída por um sistema eficiente e de resultados, com formação de odontólogos e assistentes especializados. Hoje, o país conta com aproximadamente mil dentistas para uma população de sete milhões de habitantes.
Outro ponto importante, segundo a cubana, é o engajamento da população nos programas de prevenção. Ela comenta que em praticamente todas as ruas de seu país há líderes comunitários que procuram orientar os vizinhos sobre formas de não contrair doenças. A tevê estatal também veicula, no mínimo uma vez por semana, programas específicos para a área da saúde.
Além do setor odontológico, Margarita Perez acrescenta que os investimentos - ainda que insuficientes, sobretudo com as dificuldades impostas pelo embargo econômico dos Estados Unidos -, têm ao menos dado bons resultados. A expectativa de vida, por exemplo, é de 76 anos de idade e doenças como cólera, tétano e difteria - ainda encontradas em solo brasileiro - foram extintas de Cuba.Doutora em Odontologia, Margarita Perez, diz que bons resultados se devem ao fato de Cuba eleger a saúde como prioridade
Paulo WolfgangHORA DE PREVENIRPresidente da Sociedade Cubana de Estomatologia e Odontologia, Margarita Perez, brinca com as crianças de creche da zona sul





