Congresso discute polícia comunitária
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quinta-feira, 24 de novembro de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Nova York ameaçada pela violência se viu obrigada a reagir, antes que o ''Apodrecimento da Big Apple'', como apontou reportagem de capa da Time, em 1990, deixasse de ser um prognóstico para se tornar uma triste constatação da criminalidade descontrolada nas ruas. Aterrorizados com a onda de violência, 59% dos nova-iorquinos disseram à revista que se pudessem, abandonariam a cidade.
O contra-ataque das autoridades, através do programa ''Tolerância Zero'', se transformou num marketing, elevando o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, à condição de celebridade por conseguir reduzir os assassinatos em 67% e a criminalidade total em 57%.
Porém, a comparação do policial Charles Mercier, o Chuck, do Departamento de Polícia do Distrito Durham, no Canadá, de que ''não basta ter um bom jogador no time para vencer campeonato. É preciso uma equipe entrosada'', põe em evidência a participação do governo e a comunidade para resolver a violência, que no Brasil tem vários componentes, como a desigualdade social e o tráfico de drogas.
Representando uma cidade com cerca de 450 mil habitantes, número semelhante ao de Londrina, Chuck é um dos convidados do Congresso Internacional de Polícia Comunitária do Estado do Paraná, realizado segunda-feira em Curitiba, ontem em Londrina, com encerramento previsto para amanhã em Foz do Iguaçu.
Cerca de 1,2 mil policiais participaram da etapa londrinense, conhecendo experiências de polícia comunitária em países considerados de primeiro mundo, entre os quais os Estados Unidos, Canadá e Japão. O governador Roberto Requião e o secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, também participaram do evento.
Em entrevista à Folha, Chuck ressaltou que há mais de 10 anos a violência está em queda no Canadá. ''Trabalhamos com a valorização das pessoas. Cada cidadão é responsável pela segurança da sociedade''.
No Japão, a polícia comunitária existe há 130 anos e é responsável por 80% das prisões. Perito da cidade de Kanazawa, a 600 quilômetros da capital japonesa, Hideki Tokuda, apontou quatro frentes em que os policiais atuam: ''O nosso primeiro trabalho é entender a realidade no nosso entorno. Em segundo lugar, é fazer as atividades do policiamento de acordo com as necessidades e anseios da população. Também nos preocupamos com a vigilância do trabalho policial. Finalmente, os policiais querem executar todos os trabalhos exigidos pela polícia e a comunidade''.
Para o chefe da Casa Militar, major Anselmo José de Oliveira, a polícia tem que oferecer segurança, mas a comunidade precisa fazer a sua parte. ''A falta de iluminação pública, por exemplo, contribui para a violência. A comunidade pode fazer a sua parte ao entrar em contato com o poder público e pedir que solucione esse problema de iluminação. Queremos que exista uma confiança mútua entre a comunidade e os policiais, o que gera compromisso'', afirmou.


