As tendências do crime no Brasil e os principais problemas locais ligados à violência estão sendo discutidos em Londrina, durante o I Congresso Paranaense de Criminologia, que começou ontem e vai até o dia 11 no Centro de Eventos do Catuaí Shopping. Discussões como lavagem de dinheiro, delação premiada e crimes de colarinho branco fazem parte da programação, que vai girar em torno do tema geral ''A criminologia no Século XXI''. O encerramento do congresso contará com a presença do professor argentino Luis Fernando Nino, uma das maiores referências em criminologia da América Latina.
Segundo o advogado londrinense Walter Barbosa Bittar, presidente do evento, será uma oportunidade de discutir uma das grandes feridas da sociedade atual: o envolvimento das classes mais abastadas com o mundo do crime. ''As pessoas, de maneira geral, associam crime com falta de dinheiro, mas chama a atenção hoje em dia e vários estudos comprovam isso o crescimento da delinquência nas classes média e média alta'', observa o advogado. Ele cita como exemplos o tráfico de entorpecentes e os crimes contra o patrimônio, como roubos.
Segundo Bittar, a criminologia é fundamental para que os governos definam as políticas de segurança pública. ''O crime não é só um problema social'', afirma. O advogado defende que a punição é só uma pequena parte do universo do estudo do fenômeno criminal, daí a necessidade de buscar e conhecer as alternativas propostas para enfrentar o problema. ''É preciso trabalhar o indivíduo como um todo. Enquanto os governos não investirem mais em salas de aula, na educação, vão continuar construindo presídios, o que é lamentável'', completa.
Ao final do evento que é promovido Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, em parceria com o Centro Universitário Filadélfia (Unifil) será elaborado um relatório com as conclusões de todos os debates para ser encaminhado à Secretaria Estadual de Segurança Pública, bem como à editora Lúmen Júris do Rio de Janeiro, que publicará um livro com distribuição nacional, sob a coordenação de Bittar. O presidente do congresso antecipa que a intenção é realizar o evento todos os anos. ''Londrina precisa ser vanguarda numa área hoje pouco debatida.''

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