Congresso debate papel do professor de educação física
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terça-feira, 27 de julho de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Professores e alunos de educação física de Londrina se reuniram na manhã de ontem para refletir sobre a prática dos docentes da disciplina na educação infantil e no ensino fundamental. A atividade faz parte do Congresso Norte Paranaense de Educação Física Escolar (Conpef), promovido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com o apoio da prefeitura. Para hoje estãos programadas oficinas que serão realizadas no Centro de Educação Física e Desporto da UEL. O evento termina amanhã.
''O que pretendemos discutir é a Educação Física enquanto área de conhecimento. E acabar com o mito que a disciplina serve só para treinamento e ensaiar festa junina'', disse uma das organizadoras, a professora doutora Ângela Pereira Teixeira Victoria Palma. De acordo com ela, a necessidade de repensar o papel do educador surgiu de uma pesquisa coordenada por ela e pelo marido, o professor doutor José Augusto Victoria Palma, que envolve outros 23 professores de escolas públicas e particulares.
O objetivo da pesquisa e do congresso é elaborar um currículo para a disciplina de Educação Física. ''Nós trabalhamos com a motricidade humana como movimento que tem significado. Queremos que as crianças tomem consciência do movimentar-se'', detalhou Ângela. Segundo ela, se a prática da Educação Física não sofrer mudanças, qualquer ''amigo da escola'' poderá exercer a função, que é obrigatória segundo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB).
Para a secretária municipal de Educação, Carmem Baccaro Sposti, o evento pode contribuir muito para a atualização dos professores da rede municipal. ''Queremos que o professor desta área esteja inserido dentro do contexto da escola, pois com a ajuda deles pode ser trabalhada a disciplina, o respeito e a concentração valores que contribuem com o rendimento da criança'', argumentou a secretária.
Para tanto, palestras sobre conceitos de educação e escola, ministradas ontem, dariam uma base teórica para as discussões. ''Aqui ninguém vai sair com receita para fazer algo'', ressaltou Ângela. Ela contou que a metodologia a ser apresentada procura desestruturar o aluno, para que possa pensar sobre o que faz automaticamente. ''Quando queríamos ensinar equílibrio, fazíamos atividades como andar na linha, no banco, de olhos abertos ou fechados. Agora devemos questioná-lo sobre quais as alterações que sente quando faz um exercício diferente. É mais seguro andar de olhos abertos ou fechados? O que altera no seu movimento quando caminha num banco?''
Ângela exemplificou como a mudança de comportamento do docente pode transformar o aluno em uma pessoa mais crítica. ''Hoje se queremos emagrecer, vamos para uma academia e temos que acreditar que o exercício que estão nos passando vai resolver. Porém, se na escola tívessemo aprendido algumas coisas do funcionamento do corpo, teríamos condições de cobrar do profissional uma atitude correta.''
Nas oficinas de hoje e amanhã também serão abordados temas como jogos populares.


