Congresso debate adolescente em risco social
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de setembro de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Qual a diferença entre um adolescente e um adolescente em situação de risco pessoal e social? Nenhuma, garante a organização do 1º Congresso de Educação para Adolescentes em Situação de Vulnerabilidade Pessoal e Social, que acontece em Londrina, de hoje a sexta-feira, no auditório da Sercomtel, bairro Aeroporto (Zona Leste de Londrina). O debate é uma realização do Instituto de Educação Infanto-Juvenil e da Guarda Mirim.
A coordenadora do congresso, a educadora Eliana Morinaka, explica que o objetivo é reunir a comunidade para que, todos juntos, consigam discutir propostas para se desenvolver uma educação de qualidade voltada para menores em situação de risco. ''Temos dois caminhos: ou deixamos tudo por conta da polícia ou percebemos que todos temos que agir'', completa a também organizadora e diretora da Guarda Mirim de Londrina, Luiza Cavazotti e Silva.
Ela ensina que o adolescente vulnerável ''é também um adolescente, um sujeito que coloca a sociedade em xeque e provoca mudanças nesta mesma sociedade''. Portanto, continua, não basta apenas dar uma oportunidade de ocupação para esse menor com o objetivo específico de mantê-lo em atividade. ''Muitos trabalhos assistenciais estão voltados unicamente para tirá-los das ruas. Mas assim, estamos formando cidadãos de segunda linha'', comenta a educadora.
Luiza avalia que a ação mais eficaz para mudar esse comportamento é atuar com os educadores, transformando seu modo de atuação e fazendo com que ''olhem nos olhos'' dos seus alunos. Com a disponibilização de recursos para a capacitação desses educadores, ela assegura que é possível ''dar autonomia intelectual e moral'' para o adolescente em situação de risco.
No congresso, educadores da Guarda-Mirim irão apresentar projetos que buscam estimular a autonomia do adolescente. Pelo projeto ''Higiene de bem com a vida'', por exemplo, os alunos da instituição têm a disposição um banheiro com toalhas descartáveis, sabonetes, xampus, gel, pentes e tudo o mais que um banheiro exige e que todo mundo gosta. Em contrapartida, eles devem cumprir tarefas na entidade que beneficiam a coletividade. O resultado foi que as ocorrências de vandalismo praticamente acabaram.


