Congresso de Pediatria discutirá violência
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sábado, 20 de outubro de 2001
Telma Elorza<br> De Londrina 
A violência contra a criança é o tema central do 8º Congresso Paranaense de Pediatria, que será realizado de 14 a 17 de novembro, em Londrina. Também serão realizados, no mesmo período, o 1º Congresso Paranaense de Enfermagem e o 4º Encontro de ex-Residentes de Pediatria e Cirurgia Pediátria do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná. O evento deve reunir cerca 700 pessoas de diversas áreas de atuação para discutir saúde infanto-juvenil.
Promovido pelo Departamento de Pediatria da Associação Médica de Londrina (AML) e Sociedade Paranaense de Pediatria, com apoio do Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediátricos e Associação Latino-Americana de Pediatria, o evento pretende enfocar a vitimização e causas da mortalidade infantil, em uma tentativa de reverter o quadro. ''A violência é a doença social mais grave que o pediatra tem enfrentado nos últimos anos. E o que vemos pela frente é a promessa de um crescimento assustador nesta área, principalmente contra a criança e o adolescente'', afirma o médico Eduardo de Almeida Rego Filho, presidente da comissão científica do congresso.
Segundo o presidente do congresso, o médico Milton Macedo de Jesus, a mortalidade infantil foi reduzida nas últimas décadas devido às ações realizadas nas áreas da saúde, como a ampliação da rede de atendimento, cobertura de vacinação, estímulo ao aleitamento materno e à terapia de reidratação oral. Porém, de acordo com ele, está aumentando o número de mortes de adolescentes, entre 13 e 19 anos, vítimas da violência. ''No ano passado, 75% das mortes de jovens tiveram como causas externas os acidentes de transporte, quedas, afogamento, agressões e suicídios, totalizando 50 mortes'', disse.
Para Macedo, o pediatra pode contribuir para a redução destes índices, educando a população, envolvendo a comunidade e apoiando ações de sá© ude nos municípios, como o aumento de leitos de tratamentos intensivo e intermediário. ''Mas principlamente se qualificando para prestar o melhor atendimento, através de reciclagens'', afirmou.
Segundo o presidente do congresso, os temas científicos a serem debatidos foram escolhidos a partir de uma consulta entre os próprios pediatras. ''Com isto, resultou que, pela primeira vez, a área da adolescência será contemplada dentro do congresso, com uma programação específica, aberta inclusive a toda comunidade'', explicou. De acordo com ele, o assunto tem hoje um papel fundamental para a formação de todos os profissionais. ''Cerca de 18% dos nascidos anualmente em Londrina, por exemplo, são filhos de mães adolescentes'', afirmou.


