Congresso apresenta hoje o ouvido biônico
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quinta-feira, 19 de outubro de 2000
De Londrina 
Os participantes do 42º Congresso Médico de Londrina vão conhecer, hoje à tarde, a técnica do ouvido biônico, inédita na América Latina, desenvolvida pelo otorrino alemão, Hans Peter Zenner, professor doutor da Universidade de Tubingen. Ele fará a apresentação às 16 horas e amanhã, às 8 horas, no Centro de Convenções do Hotel Sumatra.
A tecnologia, denominada TICA (Totally Implantable Cochlear Amplifier), consiste em um módulo transdutor, ligado a um microfone e a um transdutor, que é implantado no osso mastóide (atrás da orelha), substituindo a função auditiva. A grande novidade, segundo explicou Zenner, em comparação com os implantes atuais é a maneira de transmissão do som: nos convencionais a estimulação é elétrica e no TICA, mecânica, proporcionando melhor qualidade auditiva.
É indicado apenas para adultos porque a caixa craniana das crianças ainda está em desenvolvimento e para pacientes com problema neuro-sensorial do ouvido interno, nos quais as células sensoriais acústicas não têm capacidade de amplificar o som. A tecnologia alemã beneficiaria hoje cerca de 50 milhões de pessoas no mundo todo, 10% dos 500 milhões que têm problemas no setor celular do ouvido interno.
As pesquisas do TICA começaram há 12 anos, mas só em 1998 foi realizado o primeiro implante. Segundo o otorrino, dos 30 casos cirúrgicos já realizados, 20 tiveram resultados clínicos positivos, com audição perfeita, dois retiraram o implante por não se adaptarem, e o restante voltou a ouvir, mas não com perfeição. Esses estão aguardando novas pesquisas para melhorar a qualidade, afirmou.
Entre os pacientes, Hans Zener fez questão de ressaltar que estão professores primários que dão aulas de natação e precisam da audição para a segurança dos alunos, um anestesista, que acompanha as batidas cardíacas no estetoscópio e uma cantora de ópera.
O TICA poderia ser chamado de um marca-passo do ouvido, guardada as devidas proporções. De acordo com pesquisador, há similaridades no formato, na parte eletrônica e computacional. A diferença é fundamental: o marca-passo só funciona quando há falha cardíaca e o TICA ininterruptamente, enfatiza Zenner. Atualmente, a bateria do aparelho precisa ser trocada a cada cinco anos.
O implante, com o aparelho e a manutenção, custam cerca de US$ 20 mil. Nos próximos dez anos, acredita o especialista, o preço deverá ser bem mais acessível, em torno de US$ 4 mil. Para que a tecnologia seja implantada em outro País, como no Brasil, Zenner diz que é preciso apenas treinar uma equipe de profissionais médicos para fazer o acompanhamento do aparelho.


