Congestio- namentos irritam motoristas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de abril de 1998
Alexandre Sanches 
Dorico da SilvaFilas
constantes
Passam
por dia
no trecho
entre
Arapongas
e Rolândia
cerca de
15 mil
veículos
que se
afunilam
em apenas
uma pista
em cada
sentido;
motoristas
reclamam que
não foram
feitos
desvios
para
facilitar
a passagemAs obras de construção da praça de pedágio entre Arapongas (37 km a oeste de Londrina) e Rolândia está gerando reclamações dos usuários da BR-369. Há uma semana, a rodovia que tem quatro pistas passou a ter apenas duas, gerando congestionamentos no local. Por dia, passam aproximadamente 15 mil veículos naquele trecho. A maior reclamação é que não foram providenciados desvios para desobstruir o tráfego.
O caminhoneiro José Luiz de Almeida, 41 anos, de Cachoeiro do Itapemirim (ES), engrossa a lista de reclamações. Para ele, falta sinalização e pessoal para alertar os motoristas sobre as obras. Parado desde domingo num posto de combustível a pouco mais de 200 metros da obra, diz ter presenciado acidentes no local.
A empresa responsável pela obra (Viapar) colocou quebra-molas na região. Por causa deles, aconteceram muitos acidentes. Agora retiraram os quebra-molas e os problemas continuam, reclamou. O congestionamento é maior para quem transita de Arapongas para Rolândia, por causa do sinaleiro em frente ao posto Grande Parada Erdei.
Constantemente, funcionários da Viapar - responsável pelo Lote 2 do Anel de Integração - interrompem o tráfego para que os caminhões da empresa possam atravessar a pista. Numa destas interrupções, anteontem à tarde, duas carretas bateram e complicaram ainda mais o trânsito.
O motorista Carlos Henrique Gonçalves da Silva, 19 anos, de Barretos (SP), culpa um funcionário da Viapar que liberava o tráfego. Eu estava atrás de outra carreta, quando o bandeirinha liberou a passagem dos caminhões e, de repente, mandou que parássemos. A carreta da frente, que estava vazia, conseguiu parar, mas eu, transportando madeira para uma fábrica de Arapongas, não consegui segurar o veículo, reclamou.
O caminhão de Silva ficou com o motor, cabine e eixo danificados. Ele reclamou da falta de sinalização. Policiais rodoviários foram chamados para a controlar a situação. Em alguns momentos, a fila de veículos parados chegou a mais de um quilômetro.
A Polícia Rodoviária confirmou os acidentes provocados pelos quebra-molas. Porém, afirmou que as placas de sinalização na estrada estão de acordo com as leis de trânsito. Anteontem o governador Jaime Lerner (PFL) ameaçou penalizar as empreiteiras responsáveis pelo Anel de Integração, caso não respeitem os contratos e nem os usuários das rodovias.
O governador estava especialmente irritado com os congestionamentos registrados nos pontos de construção de praças de pedágio nas principais rodovias do Estado. Próximo a Ponta Grossa, milhares de veículo levaram oito horas para percorrer um trecho de 100 quilômetros. As obras de construção das praças de pedágio não foram suspensas nos feriados da Semana Santa. Lerner não quer a repetição da situação nos próximos feriados prolongados.
A Folha tentou falar com os responsáveis pela Viapar ontem e anteontem. A informação é que eles estariam viajando pelo trecho do Lote 2 com engenheiros do Departamento de Estrada de Rodagem (DER) e que hoje emitiriam um informe oficial sobre o assunto.


