Confusão prejudica cursos profissionalizantes
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A falta de sintonia entre a secretaria estadual do Trabalho, Emprego e Promoção Social (Sept), órgãos municipais e a Fundação de Ensino Técnico de Londrina (Funtel/Ipolon) vem prejudicando cerca de 40 alunos de dois cursos profissionalizantes. Os problemas na grade curricular foram detectados nos cursos de Artesanato em Materiais Recicláveis e Design de Produtos, que têm duração de 200 horas e tiveram início em fevereiro.
Segundo o superintendente da Funtel, Moisés Betoni, nos dois casos houve divergência de conteúdo.''O curso não é nosso, somos prestadores de serviço contratados pelo Estado. Quando assinamos o contrato nos disseram que era um conteúdo, mas depois que os alunos chegaram, ficamos sabendo que era outro'', afirmou. De acordo com ele, há possibilidade de suspensão dos cursos para a realização das adequações. Os recursos aplicados, aproximadamente R$ 21 mil, são vinculados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) - repassados pela união federal ao governo do Paraná.
A contratação dos cursos profissionalizantes, com recursos do FAT, passa por uma série de instâncias até chegar à sala de aula. A definição do perfil é feita pelo município, que repassa o pedido à Agência do Trabalhador (Sine). Por sua vez, esse órgão comunica o escritório regional da Sept, que se responsabiliza por levar o pedido para Curitiba. Na Capital são feitos os trâmites burocráticos para a contratação da empresa executora dos cursos - que atua de forma terceirizada. Nos dois casos em que houve irregularidades, os pedidos partiram do programa ''Economia Solidária'', ligado à secretaria municipal de Assistência Social.
O representante da Funtel afirma que a divergência entre os conteúdos dos cursos é frequente. ''Isso é crônico. Na área de confecções, por exemplo, eventualmente sai um curso para um cidade onde tem uma empresa, eles dizem que é para operador de máquinas de camisaria, aí a gente manda para lá e quando chega vê que a empresa é de jeans.''
Betoni afirma que, geralmente, há reposição das aulas. ''Eu atendo os dois lados, principalmente o Estado, que me paga. Claro que se houver prejuízo, não vou atender (a reposição)''. A Funtel, de acordo com o superintendente, está ministrando, simultâneamente, 76 cursos em quase 50 municípios do estado.
Segundo a coordenadora do Programa Economia Solidária, Sandra Nishimura, o problema no curso de Design de Produtos foi o foco da grade curricular. A solicitação visava atender o pessoal que já está trabalhando com artesanato e alimentos. ''Mas o curso foi mais voltado para a área do vestuário e acabou não atendendo à realidade'', disse. Sobre o outro curso, ela declarou desconhecer a existência de problemas.
A chefe do escritório da Sept em Londrina, Suely Beggiato, confirmou a diferença de conteúdos. ''Às vezes há divergência: a expectativa do aluno é uma e da coordenação é outra. Daí a gente faz as adequações conforme o desenrolar do curso.''
O coordenador de Qualificação Profissional da Secretaria do Trabalho, Fernando Sicuro, informou que Londrina tem oito turmas de cursos profissionalizantes (160 alunos) e duas apresentaram problemas.


