A falta de informação sobre como será o processo de seleção para vagas no Centro de Educação Infantil do Residencial Vista Bela (zona norte de Londrina) motivou dezenas de mães a passarem a noite na fila em frente ao Centro Comunitário de Convivência do bairro. O resultado foi um grande tumulto ontem de manhã, quando teve início o cadastramento das crianças, realizado pela Secretaria Municipal de Educação. O trabalho da secretaria segue até amanhã e tem o objetivo de saber o número de crianças de 0 a 6 anos do residencial.
A recicladora Débora André Meireles, mãe de três crianças, uma delas com quatro anos, foi uma das moradoras que decidiu passar a noite na fila. ''A gente imaginou que as vagas seriam distribuídas por ordem de chegada, então passamos a noite aqui nos bancos, mas só agora soubemos que eles vão fazer uma análise antes'', contou. ''Eu preciso trabalhar para ajudar meu marido e não tenho com quem deixar meu filho. Sem vaga em nenhuma creche, tenho que levá-lo comigo na reciclagem e ainda corro o risco de ser punida pelo Conselho Tutelar.''
A manicure Graziela de Souza também passou a noite na fila, na esperança de garantir a vaga para a filha de 1 ano a quatro meses. ''Fiquei sabendo que a maioria das crianças não irá conseguir, porque são, no máximo, 200 vagas. Não tem como eu trabalhar e levá-la junto'', afirmou.
Solteira e mãe de três crianças, a diarista Kalinka Ferreira de Deus conta que teve que diminuir o ritmo de trabalho para cuidar dos filhos de 4, 2 anos e 10 meses. ''Hoje, eu estou limpando só uma ou duas casas na semana e com isso minha renda diminuiu bastante. E isso me preocupa muito, porque é só eu para sustentar as crianças, nem sei o que vou fazer no ano que vem'', salientou.
A secretária municipal de Educação, Maria Inês Galvão, detalha que com base no número de crianças e a prevalência da faixa etária que mais precisa, o Município poderá definir se o espaço já construído dentro do Centro de Convivência funcionará como um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), que atenderia 80 crianças, de 0 a 5 anos; ou um Centro de Educação Infantil para 200 crianças em idade pré-escolar (EI6), somente para alunos na faixa etária dos 6 anos.
Após essa definição, que deverá ocorrer em janeiro, a secretaria iniciará a seleção das crianças que mais precisam. Para isso, serão analisados fatores como crianças em situação de risco, com necessidades especiais, renda familiar, mães que trabalham, números de filhos e idade das crianças. As aulas estão previstas para começar em 4 de fevereiro.
A secretária reconheceu que a unidade não será suficiente para atender todas as famílias e adiantou que uma outra alternativa será o Centro Educacional Infantil do Conjunto Maria Celina, localizado na zona norte e que deverá ser inaugurado no segundo semestre de 2013.
A construção do CEI do Maria Celina foi interrompida em junho deste ano, após a falência da empresa contratada pela prefeitura para executar as obras. Segundo Maria Inês, a secretaria está em fase de contratação de uma outra empresa para finalizar as obras. Segundo ela, falta finalizar os acabamentos.

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