De um lado, grupo de moradores da Chácara São Miguel, do Jardim Esperança (Zona Sul de Londrina). Do outro, o governador Roberto Reguião, que veio à cidade ontem. Entre eles, a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no bairro.
Munidos de faixas e com o discurso afiado, os manifestantes temem que a nova ETE contamine as águas dos córregos da região e as plantações dos produtores locais. Anteontem, o grupo já havia interrompido o funcionamento das máquinas da Sanepar. Ontem o alvo foi o próprio Requião.
Maria Eliza Castanho, moradora do local há 25 anos, defendia que a obra fosse realizada a quatro quilômetros da área escolhida, onde não há moradores. ''Não podemos pagar o preço pela falta de planejamento da Sanepar'', disse, reiterando a existência de outros quatro pontos onde poderia ser instalada a ETE.
''De que adianta gastar fortunas na construção de hospitais se a cidade não tiver coleta de esgoto?'', rebateu Requião, reforçando que a decisão de construir a estação naquele local foi ''tecnicamente pensada e analisada''. ''É um investimento importante e necessário. Minha decisão está tomada'', completou o governador em discurso, enquanto o grupo se manifestava.
''Não vou enrolar, a obra vai ser lá e não terá cheiro nem nada. Protesto vai haver sempre, mas o governador tem que tomar uma decisão e eu tomei'', respondeu Requião.
Segundo a moradora Vera Victorino, outro grupo ficou de plantão na Chácara para impedir as obras. Eles chegaram a arrecadar 1,5 mil assinaturas contra o projeto, que seriam entregues ao governador ontem. ''Uma minoria não terá voz diante de 120 mil pessoas que serão beneficiadas com a nova estação'', afirmou o presidente da Sanepar, Stênio Jacob.
O bate-boca foi o auge da visita do governador, que afirmou ainda ser uma ''estupidez'' a transferência da sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) do Paraná para Santa Catarina.
Problema recorrente na administração Barbosa Neto, a falta de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) no município também foi discutida pelo governador, que passou o problema para as mãos da União. ''O Estado já está no limite, assegurando repasses até março. De agora em diante é com o governo federal.''
Investimentos
Em Londrina, Requião fez vistorias nas obras do Centro Estadual de Educação Professora Maria do Rosário Castaldi, na Zona Oeste, e assinou convênios com a prefeitura que beneficiarão a Biblioteca Pública e o Museu e Arte, além de fomentar a inclusão digital na Zona Rural da cidae. Assinou ainda um contrato de R$ 73,4 milhões para duplicação do sistema de água Tibagi.

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