Confusão marca reunião com mototaxistas
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terça-feira, 18 de março de 2003
Renê Muller<BR>Reportagem Local 
Foi tensa a reunião entre os donos das centrais de mototáxi e o vereador Sidney de Souza (PTB). Não pelo debate, mas pela presença de seis mototaxistas da Agência Cooper Moto Táxi, que não estão ligados às centrais e querem a liberação do ponto na rua. A reunião foi convocada pelos representantes das centrais, que cobram da Companhia Municipal de Transito e Urbanização (CMTU) fiscalização maior sobre os profissionais que estão atuando de forma irregular em Londrina. Hoje à tarde, eles acompanham o vereador, autor da lei municipal que regulamentou o serviço de mototáxi na cidade, em uma reunião com o prefeito Nedson Micheleti (PT).
Sebastião Ferreira dos Santos, o Batuta, foi o ''porta-voz'' dos cooperados que invadiram a sala de reunião. Eles pedem uma votação entre todos os mototaxistas registrados, decidindo ou não pela permissão do ponto nas ruas, e a não obrigatoriedade de vinculação às centrais. ''Todo o profissional registrado com a carteria da CMTU votaria pelo sim ou pelo não e depois a parte que perdesse poderia recorrer à opinião pública'', afirmou. A cooperativa ainda não está oficializada, mas, segundo Batuta, ''está encaminhando sua regularização''.
O vereador lembrou que a lei 8.052, de 2000, diz em seus artigos 4º e 13º que o mototaxista de Londrina precisa estar vinculado às centrais para poder trabalhar. ''Se eles estão trabalhando sem vinculação a uma central, então estão trabalhando de forma irregular'', disse. ''A central organiza e disciplina o serviço, e assim dá ao mototaxista o respeito da população''.
A presidente da Associação dos Mototaxistas de Londrina, Edimara Adolfo Oliveira, estima que 25% dos mototaxistas estejam trabalhando de forma irregular na cidade. ''As centrais deixam à disposição do mototaxista uma secretária 24 horas, local para descanso, banheiro, e outros benefícios.''
Segundo o gerente de fiscalização de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, a Cooper é encarada pela autarquia como uma central. ''A fiscalização entende que a cooperativa tem uma Central, já que seus mototaxistas ficam em uma sede'', afirmou. O gerente também disse que, mesmo com falta de estrutura adequada, a CMTU vem fazendo blitze periódicas de fiscalização.
Segundo Grotti Júnior, durante o dia, as ações ocorrem nas ruas e os mototaxistas que trabalham de forma irregular estão sendo notificados, até com apreensão dos veículos. À noite, estariam sendo fiscalizadas as centrais, com o apoio da Rone (grupo especial da Polícia Militar). ''Essa discussão me parece mais uma briga financeira do que falta de fiscalização'', opinou.
Embora a polêmica da taxa cobrada pelas centrais, de R$ 7,00 ao dia, seja um dos argumentos utilizados pelos mototaxistas cooperados, seus representantes preferiram não tocar no assunto. ''Queremos uma revolução democrática dentro do serviço, mas não queremos acabar com as centrais'', disse Batuta. ''Só achamos que é mais viável ter o ponto na rua, e não achamos viável ficar na Central.''


