Um princípio de confusão, ontem de manhã, tumultuou a sede da Associação de Desenvolvimento da Indústria Informal do Paraná (Adipar), localizada na Rodovia Carlos João Strass, zona norte de Londrina. A nova diretoria da associação - eleita e empossada em assembléia realizada na noite de anteontem - foi impedida, num primeiro momento, pelo ex-presidente da entidade, Francisco Negri Filho, de retirar móveis, documentos e utensílios da sede, que funcionava em uma sala da empresa Solucon, de propriedade de Negri.
O ex-presidente questiona a legitimidade das eleições, convocadas por suspeitas de irregularidades na condução dos interesses dos cerca de 300 associados por parte da antiga diretoria. Depois de uma reunião a portas fechadas entre o ex-presidente, seu advogado Ronaldo Neves, o atual presidente, Alexandre Caldeirão, o advogado Wilson Sella e Joel Garcia, sócio-colaborador da Adipar, o impasse foi parcialmente resolvido. Negri argumenta não ter dado permissão para a retirada dos móveis e documentos porque eles seriam levados para um escritório no próprio barracão de sua propriedade, ocupado por Alexandre Caldeirão.
Por volta das 13 horas, o ex-presidente liberou a retirada dos móveis e documentos para um local fora de sua empresa, além de se comprometer a prestar contas de sua gestão até o dia 15 de junho. A legitimidade das eleições, porém, continua sendo questionada por Negri.
O novo presidente, Alexandre Caldeirão, e sua equipe colocaram os móveis em um caminhão e foram, ontem à tarde, até a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) reivindicar um local para funcionar como sede provisória da Adipar. A direção da Codel cedeu, gratuita e temporariamente, um espaço na Incubadora Industrial, na zona oeste da cidade. A mudança e todos os documentos da Adipar foram levados para lá no final da tarde.
Segundo o advogado Ronaldo Neves, a eleição realizada não tem valor nenhum, já que a assembléia foi desconvocada na segunda-feira por Negri. ‘‘Como presidente, ele tem poderes para isto’’, garantiu o advogado. Segundo ele, a assembléia que convocou eleições para a nova diretoria, realizada no dia 19 de abril, foi nula.
‘‘O mandato de Negri vai até fevereiro do ano 2000. Mesmo que a iniciativa tenha sido sua, ele não poderia convocar novas eleições sem renunciar ao cargo. Aliás, ele não poderia dispor dos cargos da diretoria. Era preciso que houvesse uma renúncia coletiva’’, explicou.
Para Neves, é preciso deixar claro que Negri não está se apegando ao cargo. ‘‘Ele precisa apenas de tempo para fazer uma prestação de contas correta. Estas contas têm que passar por uma auditoria completa para que possamos tirar as dúvidas com toda a transparência’’, disse.
Para o advogado da nova diretoria, Wilson Sella, as eleições foram perfeitamente legais. ‘‘Só uma assembléia tem poder para desconvocar outra’’, afirmou. Segundo ele, mesmo que houvesse a possibilidade jurídica da desconvocação, teria que ser em conjunto com a comissão interventora instituída na assembléia do dia 19 de abril.
‘‘Nas atas constam que o presidente, a partir daquela data, teria que submeter qualquer ato seu, administrativo ou financeiro, ao aval desta comissão, o que não foi feito’’, afirmou. ‘‘A assembléia é soberana. Ela pode eleger e destituir qualquer presidente’’, observou.Dorico da SilvaMudançaDireção da Codel cedeu, gratuita e temporariamente, espaço para associação na Incubadora IndustrialTelma Elorza

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