Confusão e quebradeira em desocupação no Bairro Ahú
Giovani Ferreira
De Curitiba
Na tarde de ontem agentes da Guarda Municipal e funcionários da prefeitura tentaram realizar uma desocupação supostamente irregular, em uma ocupação de sem-teto no bairro do Ahú, em Curitiba. Durante a tentativa de retirar os invasores um barraco foi destruído e várias telhas de eternit que seriam utilizadas para a construção de uma casa foram quebradas. No local moravam dez pessoas, entre as quais sete crianças, que resistiram à desocupação e permaneceram na área.
O sem-teto Oscar Martins, chefe da família que ocupa o terreno, disse que as pessoas que tentaram fazer a desocupação não tinham nenhum mandado judicial. Oscar explicou que pediu até amanhã para sua família deixar a área, mas eles não teriam aceitado e começaram a quebrar tudo. De acordo com os moradores, eram quatro guardas fardados, mais dois à paisana que também seriam da Guarda Municipal, e outros quatro funcionários da prefeitura. Eles chegaram no local com um caminhão, dispostos inclusive a levar os móveis dos invasores, relatou Oscar.
Apesar de terem ido ao local para efetuar a desocupação, a Guarda Municipal e os funcionários do município deixaram a área invadida quando chegou uma equipe da Polícia Militar, que foi acionada através do 190. A partir do registro da ocorrência feito pela PM, os invasores podem entrar com uma ação judicial de abuso de autoridade. De acordo com os policias que estavam no local, a área invadida está sendo disputada na Justiça, onde figuram como proprietários a União e um empresário da capital.
A Folha tentou ouvir a prefeitura, mas os fiscais do Departamento de Patrimônio, que estariam de plantão por causa da desocupação, não foram encontrados. Na Guarda Municipal a reportagem também não conseguiu falar com os agentes que participaram da ação. Por telefone o funcionário Emersom Marcelo de Freitas transferiu qualquer responsabilidade sobre o assunto ao Patrimônio do município, lembrando que a Guarda Municipal não está orientada a promover qualquer tipo de quebradeira.
Segundo Emersom, a guarda também não precisa de nenhum mandado judicial para assessorar as desocupações. Explicou que eles apenas garantem a segurança dos fiscais do Patrimônio, que são os responsáveis pelas ordens de desocupação. Emerson não soube informar se os agentes ajudaram a destruir o barraco.





