Confusão de datas aumenta a discussão sobre grampo do MST
A liderança do MST apresentou ontem documento que revela supostas irregularidades que teriam sido cometidas quando foram grampeados os telefones do movimento no município de Loanda, no noroeste do Estado. Os advogados dos sem-terra entraram com uma medida judicial na Justiça de Loanda solicitando esclarecimentos sobre os motivos que levaram a juíza Elizabeth Khater a autorizar a intercepção das conversas telefônicas dos sem-terra.
Roberto Baggio mostrou cópias do documento em que o sargento Valdeci Pereira da Silva, do 8º Batalhão de Polícia Militar, solicita à juíza a autorização para monitorar as ligações feitas e recebidas pelos terminais de número (044) 462-1418 e (044) 462-1320, instalados em duas sedes do movimento em Querência do Norte. Com data de 12 maio, o documento assinado pelo sargento possui um visto da juíza Elizabeth Khater, deferindo o pedido em data de 11 de maio.
Além das datas entre o pedido e o deferimento serem incorentes, Baggio lembra que a Secretaria de Estado da Segurança Pública divulgou que as escutas foram feitas entre os dias 10 e 25 de maio. Na avaliação de Baggio, tudo isso demostra a irregularidade do procedimento, tanto por parte do governo como da juíza de Loanda.
Os advogados do MST estão analisando a situação e colhendo elementos para entrar com uma representação contra o Estado, que no entender do movimento não está respeitando a Constitutição quando se trata de assuntos envolvendo os sem-terra.
A assessoria do secretário Cândido Manoel Martins de Oliveira informou ontem que as escutas realmente começaram no dia 10. No entando, a autorização teria sido assinada pela juíza dias antes. A assessoria garantiu que possui um documento onde a juíza Elizabeth Khater autoriza a interceptação dos telefones a partir do dia 5 de maio.(G.F.)

mockup