Confronto na fazenda Syngenta deixa dois mortos
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segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Um militante do movimento Via Campesina e um segurança particular morreram baleados, ontem, durante confronto na fazenda experimental da multinacional Syngenta, em Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel).
Pelo menos outras oito pessoas ficaram feridas. A propriedade foi reinvadida de madrugada, três meses após ter sido desocupada pelos sem-terra.
Segundo a assessoria de imprensa da Via Campesina em Curitiba, cerca de 150 sem-terra teriam ocupado a fazenda por volta das 5 horas de ontem, sem encontrar resistência por parte dos seguranças que se encontravam no local. No início da tarde, entretanto, um microônibus com cerca de 40 homens teria estacionado em frente ao portão da unidade experimental, dando início ao confronto. ''Eles portavam vários tipos de armas de fogo e já desceram atirando, pegando os sem-terra desprevenidos'', declarou a assessoria.
Conforme o movimento, o militante Valmir Mota (idade não informada) foi executado com dois tiros à queima-roupa pelos seguranças. Outros quatro sem-terra - Gentil Couto Vieira, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos e Hudson Cardin - foram baleados. Ainda de acordo com a assessoria da Via Campesina, a militante Izabel Nascimento de Souza foi espancada e corre risco de morte. Três seguranças também foram feridos. A identidade destes e o estado de saúde das vítimas não havia sido confirmado até ontem.
Um dos seguranças, identificado no IML como Fábio Ferreira, 25 anos, foi morto com um tiro na cabeça. A assessoria de imprensa da Via Campesina não confirmou a existência de armas entre os sem-terra e disse ''não descartar que o tiro que matou o segurança tenha partido dos próprios colegas''. A reportagem não localizou nenhum representante da Syngenta para se pronunciar sobre o caso.
A Polícia Civil de Cascavel confirmou que quatro seguranças foram presos. Cerca de 50 policiais militares foram destacados para a fazenda e acompanhavam a situação até o início da noite de ontem. O delegado-chefe da Divisão de Policiamento do Interior, Luiz Alberto Cartaxo, e o comandante da Polícia Militar (PM) do Interior, Celso José de Mello, também eram aguardados no local.
A fazenda da Syngenta vem motivando conflitos, brigas na Justiça e polêmica há cerca de um ano e meio. A área foi invadida em 14 de maio de 2006 e, a despeito de quatro decisões judiciais determinando sua desocupação, as 70 famílias ligadas à Via Campesina e ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) só a desocuparam completamente em julho deste ano. Elas foram para o assentamento Olga Benário, no mesmo município.
O governador Roberto Requião (PMDB) apoiou publicamente a ocupação e chegou a assinar um decreto tornando a área de utilidade pública - a decisão foi considerada inconstitucional. A Via Campesina afirma que seu principal objetivo é denunciar o cultivo ilegal de reprodução de sementes transgênicas de soja e milho.


