Confronto em desocupação de terreno
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Thiago Alonso<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo menos três pessoas ficaram feridas e outras três foram presas, ontem pela manhã, em confronto com a Polícia Militar (PM), durante a ação de desocupação de um terreno invadido no início de setembro por 1,5 mil famílias, no bairro da Fazendinha. A ação durou 20 minutos. As 6 mil pessoas que ocupavam o local tiveram de sair.
Com bombas de efeito moral e tiros de bala de borracha, a polícia dispersou as famílias, que bloqueavam as ruas em torno da área invadida. Um dos feridos era o cinegrafista Anderson Leandro, que registrava imagens para a produtora QuemTV. Ele foi atingido no rosto por um projétil de borracha. Um dos manifestantes levou um tiro na perna e uma criança de oito anos se feriu no tumulto ao cair sobre o entulho incandescente.
Segundo a PM, 800 homens participaram da operação. Um carro do Corpo de Bombeiros também foi usado.
Orações, gritos e palavras de ordem, crianças deitadas no asfalto, homens prometendo resistência. Nada disso adiantou. Depois de a polícia desmantelar as barricadas construídas para evitar o acesso ao local, muitos moradores iniciaram a destruição das construções erguidas no terreno.
Na porta de um barraco, entulhavam-se malas, algumas roupas, botijão de gás, louças. Na porta, a desempregada Zilma da Silva Oliveira chorava por não ter para onde ir. Junto com o marido, Nilson Pessoa, e os três filhos, a família veio de Santa Catarina para o Paraná atrás de emprego. Na Fazendinha, acreditaram que uma vida seria construída com mais dignidade. ''Achamos que iríamos ficar aqui mesmo'', disse Pessoa, que arrumou uns bicos como servente de pedreiro. ''Se eu tivesse dinheiro para pagar aluguel, não estaria aqui hoje. Não sabemos onde vamos dormir essa noite'', contou Zilma.
O terreno invadido na Rua João Dembinski, na Fazendinha, pertence à Varuna Empreendimentos Imobiliários. A liminar de reintegração de posse foi concedida em meados de setembro. A assessoria jurídica da empresa informou que o terreno de 210 mil metros quadrados deve abrigar empreendimento residencial e comercial, cujo projeto estaria em discussão junto a órgãos ambientais.


