O confronto entre camelôs e policiais, após uma operação anteontem de manhã que resultou na apreensão de cerca de 10 mil CDs e fitas cassetes piratas no Camelódromo de Londrina, colocou em conflito também o prefeito Nedson Micheleti (PT), a Câmar e autoridades policiais. Micheleti voltou a afirmar, ontem, seu posicionamento a favor dos camelôs, criticando a ação da Polícia Civil. Na Câmara, nove vereadores apresentaram um requerimento a ser encaminhado ao governador Jaime Lerner e ao secretário de Segurança, José Tavares, pedindo providências contra o delegado-chefe da 10Subdivisão Policial (SDP), Pedro de Jesus Colaço. O requerimento deve ser votado na próxima sessão.
Micheleti reafirmou que a Polícia Civil agiu precipitadamente ao deflagar a operação. ''Nós estamos, há tempos, trabalhando para levar os camelôs para a legalidade através do Shopping Popular. Foi uma ação impensada'', afirmou. Para o prefeito, a Polícia Civil não teve ''sensibilidade''. ''Não estavam agindo sob uma ordem judicial e, portanto, não custava esperar mais 20 dias. A Polícia Federal e até a Procuradoria Federal estavam esperando a mudança para o novo local'', apontou.
Segundo o presidente da Câmara, Tercílio Turini (PSDB), alguns vereadores se manisfetaram insatisfeitos com o comando da Polícia Civil. No requerimento os vereadores pedem que o governador e o secretário intervenham em Londrina para evitar novos confrontos.
Embora o delegado-chefe não quisesse comentar a polêmica, se limitando a dizer que a Polícia cumpriu com seu dever, a postura do prefeito e dos vereadores não foi bem recebida entre os outros delegados. Para eles, é ''incompreensível'' que autoridades municipais fiquem a favor da ilegalidade. ''É interessante ver um prefeito, alguém que deveria lutar pela segurança de sua cidade, defender contraventores'', disse um delegado, que pediu para não ser identificado. Outro chegou a afirmar que o delegado Sérgio Luiz Barroso, responsável pela operação, foi ''bonzinho demais''. ''Eu teria autuado todo mundo que estava com CD pirata'', afirmou. Todos foram unânimes em afirmar que Micheleti não foi feliz em criticar a ação da Polícia. ''Ele nunca se envolveu na questão da segurança da cidade'', rebateu um investigador. Para os policiais é quase certo que o prefeito ''peça a cabeça'' de Colaço.
Micheleti negou que vá sugerir a troca de comando. ''Não é do meu feitio interferir na indicação dos cargos do serviço público estadual'', garantiu. Quanto ao seu envolvimento na questão da segurança, Micheleti disse que sempre foi atuante nos aspectos políticos e sociais.
O delegado-adjunto Almeri Pedro Kochinski, que responde interinamente pela Divisão de Policiamento do Interior (DPI), disse ontem que a operação contra a pirataria correspondeu a uma determinação da divisão. ''Foi uma ação perfeitamente correta e legal'', afirmou.

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