Uma das artes mais antigas do mundo e uma das que mais despertam a emoção no ser humano, a música serve para esquecer e até mesmo superar problemas e limitações.
O som das notas sendo tocadas uma a uma sem enxergar o posicionamento dos dedos, tendo apenas a sensibilidade como guia, parece um desafio. Essa é a situação enfrentada todos os dias pela professora de música Denise Ferraz, que aos 5 anos de idade perdeu a visão de um dos olhos e atualmente enxerga com apenas 10% do olho direito. A deficiência não a impediu de dedicar mais de 30 anos à música.
Denise, que é de uma família de músicos, começou a estudar piano ainda pequena e aos 10 anos se apaixonou pelo violino. Topou o desafio de aprender a tocar, independente das limitações que lhe fossem impostas pela vida. ''Não sou do tipo que coloca a cabeça em um buraco e fica se lamentando.''
A professora precisou se adaptar às condições que iam se apresentando. Ela chegou a fazer parte da Orquestra da Universidade Estadual de Londrina (UEL), mas seu problema a impediu de prosseguir por não executar algumas funções prontamente.
Denise afirma que seu problema trouxe benefícios, como aprender a tocar de forma decorada, além da facilidade de ensinar seus alunos pela paciência e a sensibilidade que desenvolveu. ''Eu me adaptei totalmente à minha condição visual.''
Outro ponto positivo apontado pela professora é com relação ao manuseio do violino. ''É um instumento de puro tato. É preciso se desligar totalmente do visual para isso'', explica, revelando que usa esse ''método'' nas suas aulas. ''Muitas vezes faço meu alunos tocarem de olhos vendados para desenvolver a sensibilidade.''
Persistência, disciplina, qualidades essênciais em qualquer área da vida, que Denise pensa ter conseguido com a música e que a tornou forte para lidar com sua limitação.
Banda
Nicolas Palmacene Fuzzo, de 18 anos, estuda violão. ''Tenho muitas influências, sempre ouvi música desde pequeno'', esclarece. Devido ao deficit motor, ele conta que no início teve receio de aprender um instrumento, mas o prazer de tocar o motivou. ''Sou apaixonado por música.''
Hoje o rapaz já toca com os amigos, vê muitos benefícios na música e faz planos para futuramente ter uma banda. ''A música me deixou mais calmo, me sinto bem'', afirma.
Ivone Aparecida Palmacene, mãe de Nicolas, foi a grande incentivadora para que ele começasse a lidar com música. Segundo ela, a falta de oxigênio que Nicolas teve ao nascer comprometeu sua coordenação motora. Embora tocar violão pareça difícil nessa situação. Ela garante que a música tem tido efeitos positivos na vida do rapaz. ''Ele ficou mais concentrado e a parte motora tem melhorado.''

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